Neste momento, diversas partículas de álcool se movem na mesma velocidade pela minha corrente sanguínea, atingem meu lobo central e me embebedam. Elas me trazem motivo, doença, conversão, danação, pecaminosidades além dos sentidos e me trazem, acima de tudo, amor. Uma necessidade de amar. Uma vergonha em sentir que preciso ser amada. Neste momento eu desejo acima de tudo ser esculpida por belas mãos que irão contornar, meus seios, meu abdômen, roçar em meus pelos pubianos até atingir meu sexo, me fazer virar o rosto de prazer. Neste momento, eu desejo mais que o desejo da masturbação, porque por hora me amei demais. Me amei nessa manhã, quando me imaginei amada em braços perdidos e desconhecidos porém muito imaginados. Naqueles braços, gozei imensamente. Se houvesse na terra homem que me fizesse gemer tão sacramente, ele não deve me conhecer.
Agora eu me odeio, me poluo com os prazeres das quais me privo todos os dias da semana, me inundo de carnes, desejos, sexo, álcool, drogas. Há um prazer insano em mastigar um cadáver. Um prazer auto-destrutivo.
Neste momento eu invejo, eu invejo, invejo àqueles que não necessitam de álcool para se libertar. Que tem o lobo frontal totalmente seu, controlado. Eu agora queria sexo. Com um estranho. Mas um estranho conhecido, tão conhecido dos meus sonhos forçados, com aqueles cabelos longos, negros, lisos, e a pele cor de cobre. Aquele torso bronzeado, aquelas mãos fugazes, mas que parecem contornar a luminosidade que se deposita em minhas voluptuosas curvas. Em sua busca tátil , ele procura ao meu prazer e o seu. Ele não parece nervoso, nem arredio. Ele parece preocupado. Em sentir cada centímetro de minha pele, em sentir o sabor do óleo que eu derramei em minha pele anteriormente. Ele passa as mãos com tanta familiaridade que parecem minhas mãos. É um prazer absurdo.
Quando ele alcança meus seios, ele se despe de toda expectativa, como se ali há um certo deleite em seios deformes e insensíveis. Eu só sinto seu toque porque o vejo. E mesmo assim, o prazer dele é saber que eu sinto prazer em vê-lo. São macios e convidativos. Eles pedem por carinhos. Eles os move com destreza.
Um novo gole de álcool, uma nova visão. Ele agora também está despido de roupas e moralidades. Sua nudez é exagerada e proporcional, sua cor de cobre parece tão pura, tão própria, tão combinada com toda a iluminação. Seu sexo me parece tão normal, tão sexual, tão apetitoso. Eu me deleito em saliva e em vontade de prová-lo. Uma posição tão submissiva e no entanto, tão no controle. Ah, se as mulheres soubessem como nao tem nada de submissão em ter a arma do jogo entre os dentes. Mas apenas o provo, como um sorvete novo, um sabor inusitado. Meu sexo pede por mais. Quer uma invasão. Uma conexão de corpos. Uma infração contra a lei da física de que dois corpos não podem ocupar o mesmo espaço. Mas essa infração me parece conexa, necessária, nexativa. E quando o movimento é conexo. Acordo. Estamos eu, o sabor da carne entre os dentes, a lata vazia. Queria um cigarro.
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