As pessoas não me entendem. Tive grandes períodos de solidão. E isso nunca veio de outro lugar que não fosse de mim. Embora houvesse paz no céu azul e claro do dia, era triste a solidão daquele céu cálido e vazio. Não havia uma núvem ou pássaro perdido que o cruzasse. E mesmo na paz imensa dos tipo de céu que se fazem à luz clara da manhã, eu ainda o sentia triste.
Meu coração sempre foi esse tipo de céu. Só houve um fôlego de ar de alívio quando eu estive nos braços de outro. E talvez eu nunca tenha respirado tão bem. Na verdade sei que não, nunca pude sorrir com a frequência que tenho sorrido.
Ele não é perfeito, não para os outros. Mas para mim ele é. Tão lindo no seu jeito particularmente dele.
Ele me faz sorrir o tempo todo e a risada dele me tem sido um objetivo. As vezes me olha com uma intensidade que me faz querer virar o rosto e não o entendo de me encarar tanto. Nos braços dele eu adormeço com tal facilidade que é como se eu nunca tivesse dormido assim na vida. Com ele converso por horas, o beijaria por horas a fim. Ele tem um jeito particularmente doce de acordar como uma criança que se recusa a acordar.
Passei batido por ele diversas vezes, ele foi um amigo fiel sempre. Sempre me escutou e eu nunca o cogitei. Hoje é difícil imaginar a vida sem ele. É como se o meu céu azul tivesse encontrado o eixo certo, o lugar perfeito. Sinto tanta certeza que chega a ser estranho.
E agora me pergunto, como pode ser que eu nunca soubesse viver sozinha? Meu coração sabia que ele viria? Seria ele o captor definitivo da paz que tanto precisei?
Ah, a clareza do céu agora me faz sorrir. Bem vinda felicidade.
Mania de Tristeza e Sedução!
Manias, Loucuras, Crônicas do meu dia e de minhas noites, viagens e afins, de uma Bióloga Louca que se propõe a dividir suas memórias mentais!
15/03/2013
13/11/2012
Despedida
Enviado hoje ás 02:44
"Estou tentando colocar aqui tudo isso que está passando pela minha cabeça.Porque eu me sinto agora uma das piores pessoas do mundo, machucar alguém me machuca demais, principalmente porque estou machucando e magoando alguém que não merece e que me fez tão bem.
Queria que as coisas fossem diferentes, mas elas não são. E nesses últimos dias tenho me sentido atolada debaixo de tudo, de eu não ter tempo pra te ver mais, de eu sentir que eu preciso de ficar sozinha e cuidar de mim e que também não estou pronta pra essa relação.
Esses dias pensando eu entrei no facebook, procurei seu face baunilha e lá tinha a foto da sua filha uma neném linda na frente do pc. E a imagem dela está na minha cabeça todo dia desde então. Porque eu me sinto tão culpada, eu respeito demais sua relação com a sua mulher e eu tenho tanto medo de influenciar tudo isso que vocês têm, porque eu gostaria de ter tudo isso com alguém um dia. Acho que no fim eu também sou possessiva. E eu não me sinto e nunca me senti no direito de ser possessiva com você, porque você não é meu. Você se pertence e se doa a quem quer, quantas vezes você me disse isso, mas me recusei a te sentir meu, agora tenho bastante certeza de que minha cabeça até suporta uma relação poligâmica, mas meu coração não.
Você foi a pessoa mais sincera, mais risonha e que mais me fez bem de todas as pessoas da minha vida, e eu me sinto horrível por ter machucar, porque você nunca fez isso. Eu estou fazendo isso tudo, como você disse, em nome do egoísmo. Ainda bem que você vê isso, porque talvez seja a primeira vez que eu estou me escolhendo ao invés de me tornar a mártir e me sacrificar pelo outro.
Eu não tenho mais pra onde correr, cada dia que passa eu queria ficar mais sozinha, mais distante, nesses últimos 15 dias eu estive abarrotada sim mas essa distância ajudou, eu me senti mais leve, mesmo quando houve tempo livre eu não te liguei, eu escolhi ficar sozinha.
Prefiro assim, que me doa pra caralho, que eu sofra também por não ter um motivo tão forte pra ir, mas porque já não tenho motivos tão fortes pra ficar. Vou sentir uma puta falta sua e me dói muito escutar que se um dia pudermos ser amigos, não vai ser como hoje. Você tem sido meu amigo mais fiel. Você me ajudou tanto e eu me sinto enterrando uma faca nas suas costas. Mas eu não posso mentir, e eu estava sentindo que esse era o caminho que eu estava seguindo. Eu prefiro ser a filha da puta por terminar assim do que ser a canalha por mentir, por trair, por fazer coisas pra te magoar.
Prefiro te magoar por ir embora assim, porque eu sou assim, correta até nessa hora. Estou sendo correta comigo, estou me escolhendo, estou sendo o mais sincera, e sei que essa sinceridade te mata tanto quanto me machuca.
Não consigo continuar com isso e ter que mentir pra você. Não quero te magoar, mas não existe término sem dor. Sei que você já se machucou outra vezes, eu também, e eu realmente gostaria que voê não se fechasse pra outras pessoas, mas isso não é uma escolha minha. Você me mostrou que existe um outro lado nas pessoas, que eu estou enganada quando penso que não existem mais pessoas como eu e você, pessoas boas. Você me deu esperânças de que o mundo não é só superficialidades. Você mudou tudo, vai haver um forte antes e depois de você. Você me mudou muito, me mostrou outras coisas, mas senti que faltaram outras entre a gente. Não se culpe, boa parte disso tudo é culpa minha, também tem culpas suas, mas o cálculo fica assim, cada um com um saldo devedor.
Só posso te dizer o quanto você me fez feliz e me fez bem, e eu me sinto uma traidora por estar te recompensando assim, mas não posso ficar numa relação por sua causa, tenho que ficar por minha causa, porque sinto, porque meu coração quer. E ele não quer.
Queria que você tivesse lembranças boas, mas sei que agora você deve estar tão magoado. Eu particularmente estou em sentindo um lixo, me sentindo uma vilã desalmada. Mas prefiro assim. Prefiro terminar por aqui antes que eu faça alguma merda.
Sei que agora você está decepcionado e magoado, eu também estou comigo, mas ao mesmo tempo me sinto mais leve, mentindo menos pra mim.
Vou sempre lembrar de você, vou sentir muito sua falta e daqui algum tempo eu sei que vou te procurar porque vou sentir falta da nossa amizade, mas agora tudo o que quero é ficar sozinha e voltar pro meu foco em mim, voltar pro meu ballet, entregar meus curriculuns, voltar pra minha vida. Não é que eu não possa levar minha vida baunilha e com você, mas eu estou atolada e perdendo meu foco, me perdendo no meio disso tudo, eu preciso ser mais minha.
Fiquei muito triste quando você disse que pensava que havia outra pessoa, que teria acontecido algo. Não apareceu mais ninguém, até porque começo a pensar que eu não sirva mesmo pra essa coisa de relacionamento, não aconteceu nada diferente. Aliás, o que aconteceu é que nos dias que ficamos quase o dia todo sem nos falarmos, quando estive trabalhando dia todo, quando passei o fim de semana em casa, eu queria estar aqui sozinha, eu não queria te ligar, te liguei por consideração, te procurei mais por você do que por mim. Nunca quis tanto ficar sozinha, nunca entendi assim antes que eu precisava ficar só e me mudar, me construir e me demolir, nunca me senti tanto assim quanto agora. E se eu ficar, vou ficar me frustrando porque quero te recompensar, te fazer feliz mas não estou feliz, não estou me fazendo feliz.
Queria estar com você de coração, mas se não estou, tudo perde muito o sentido. Eu preciso daquele arrepio da coluna, aquele frio na barriga e sinceramente não tenho sentido isso no último mês.
Não posso ser sua, não posso te dar o que não tenho, eu preciso me encontrar."
"Deixe-me ir preciso andar, vou por ai à procurar rir pra não chorar,
Quero assistir ao sol nascer, ver as águas dos rios correr, ouvir os pássaros cantar
Eu quero nascer, quero viver.
Deixe-me ir, preciso andar, vou por aí à procurar rir pra não chorar,
Se alguém por mim perguntar, siga que eu só vou voltar quando eu me encontrar"
12/11/2012
Um novo dia, uma nova decisão...
Sem sono outra vez, outra noite em quase cinco noites. Realmente já sei o que perturba, e talvez eu hoje a noite possa dormir.
Meu coração se adoeceu. Ele se adoeceu porque eu concordei em viver sem ele, em viver sem que ele participasse.
Agora eu preciso mais que tudo colocar tudo pra fora e me libertar, mais uma relação no meu caderninho, mais um fracasso meu. Mas no fim eu sei todos os motivos.
Eu não sei viver uma relação assim, perfeita em idéia e fraca em prática. Deixe-me explicar.
Hoje vivo com alguém cuja comunicação é tão forte e gostosa que é como se fôssemos melhores amigos. Alguém que me faz rir. Alguém cujo coração é tão doce e bom quanto o meu. Alguém cuja face sempre transparece ideias demais. Ele é um dos caras mais incríveis que conheci. Mas eu não o amo, não com a intensidade que de meu coração precisa. Meu cérebro o ama, ama o jeito como ele ri e parece um vilão de novela, como é complexo e todos os dias descubro novas facetas. Como ele aprendeu a me ler tão rápido. Ele mudou muitos conceitos e padrões do que eu já havia vivido.
Mas ainda assim, quando não o amo de coração, quando esperei que ele tocasse minha alma, quando estive com ele e não senti meu coração participar, quando meus sentimentos fugiram de mim e eu fiquei triste e só mesmo estando ao lado dele, ele não viu, não o culpo.
E agora meu coração sufocado pede um ultimato, quer me deserdar, quer me abandonar.
Quer ir embora e se eu tenho que escolher entre alguém e eu, terei que escolher por mim.
Não me julgue, por favor, não sou tal horrível pessoa. Eu posso acrescentar mais detalhes à figura para que você possa enxergar e me entender.
Ele tem outros problemas, outros que não sou eu, ele tem uma vida muito diferente e uma concepção que ainda estou por entender. Sei que parece vago, mas se eu jogar limpo e contar tudo, você vai dizer vai concordar mais rápido que devo deixa-lo mas não vai entender o lado dele.
Porque de verdade, esses outros problemas contribuiram muito pouco na minha decisão, o que pesou mesmo foi o fato do meu coração não estar com ele e se recusar a estar com ele. É como se eu nunca conseguisse ser dele completamente. Eu preciso de outras coisas, troco toda a intensidade dos orgasmos, troco todas as mirabolações sexuais por mais sentimento, por momentos onde ele tivesse me cativado, tivesse conquistado o lugar dele no meu pensamento.
Agora ele parece um incômodo que eu me ofereço a viver mas não quero viver.
E o que mais me dói é saber que por fim, eu vou magoar mais alguém. Me sinto uma pessoa horrível. Tão maldosa. Tão sem jeito. Porque não podemos escolher o que o coração faz?
No fim, vou ter que me justificar muito, porque talvez ele não queria desistir de mim, o que me seria digno.
Mas eu sei que ele também sente, ele também percebe que eu não estou completamente com ele.
E por fim, aquele outro babaca que tenho mil razões para ignorar, ele que escolheu me machucar, ele eu amei. Parece que no fim eu estou aprendendo e muito. E como uma pessoa me disse, talvez não se precise de uma razão precisa para se terminar, apenas não querer se estar mais lá. Concordo, as vezes vou no fundo do poço, preciso ver tudo carbonizado e queimado, destruído e dito, para então ir embora. acho que dessa vez posso fazer diferente e ir embora antes que tudo desabe.
Não me sinto feliz com isso tudo, mas me sinto menos infeliz ao menos.
Meu mundo talvez esteja se encaminhando a fim de ser mais sozinha e me entender mais, conseguir dizer não, conseguir fazer o outro me merecer ao invés de me doar tão fácil.
Ah, o meu mundo podia ser menos preto e branco...
Meu coração se adoeceu. Ele se adoeceu porque eu concordei em viver sem ele, em viver sem que ele participasse.
Agora eu preciso mais que tudo colocar tudo pra fora e me libertar, mais uma relação no meu caderninho, mais um fracasso meu. Mas no fim eu sei todos os motivos.
Eu não sei viver uma relação assim, perfeita em idéia e fraca em prática. Deixe-me explicar.
Hoje vivo com alguém cuja comunicação é tão forte e gostosa que é como se fôssemos melhores amigos. Alguém que me faz rir. Alguém cujo coração é tão doce e bom quanto o meu. Alguém cuja face sempre transparece ideias demais. Ele é um dos caras mais incríveis que conheci. Mas eu não o amo, não com a intensidade que de meu coração precisa. Meu cérebro o ama, ama o jeito como ele ri e parece um vilão de novela, como é complexo e todos os dias descubro novas facetas. Como ele aprendeu a me ler tão rápido. Ele mudou muitos conceitos e padrões do que eu já havia vivido.
Mas ainda assim, quando não o amo de coração, quando esperei que ele tocasse minha alma, quando estive com ele e não senti meu coração participar, quando meus sentimentos fugiram de mim e eu fiquei triste e só mesmo estando ao lado dele, ele não viu, não o culpo.
E agora meu coração sufocado pede um ultimato, quer me deserdar, quer me abandonar.
Quer ir embora e se eu tenho que escolher entre alguém e eu, terei que escolher por mim.
Não me julgue, por favor, não sou tal horrível pessoa. Eu posso acrescentar mais detalhes à figura para que você possa enxergar e me entender.
Ele tem outros problemas, outros que não sou eu, ele tem uma vida muito diferente e uma concepção que ainda estou por entender. Sei que parece vago, mas se eu jogar limpo e contar tudo, você vai dizer vai concordar mais rápido que devo deixa-lo mas não vai entender o lado dele.
Porque de verdade, esses outros problemas contribuiram muito pouco na minha decisão, o que pesou mesmo foi o fato do meu coração não estar com ele e se recusar a estar com ele. É como se eu nunca conseguisse ser dele completamente. Eu preciso de outras coisas, troco toda a intensidade dos orgasmos, troco todas as mirabolações sexuais por mais sentimento, por momentos onde ele tivesse me cativado, tivesse conquistado o lugar dele no meu pensamento.
Agora ele parece um incômodo que eu me ofereço a viver mas não quero viver.
E o que mais me dói é saber que por fim, eu vou magoar mais alguém. Me sinto uma pessoa horrível. Tão maldosa. Tão sem jeito. Porque não podemos escolher o que o coração faz?
No fim, vou ter que me justificar muito, porque talvez ele não queria desistir de mim, o que me seria digno.
Mas eu sei que ele também sente, ele também percebe que eu não estou completamente com ele.
E por fim, aquele outro babaca que tenho mil razões para ignorar, ele que escolheu me machucar, ele eu amei. Parece que no fim eu estou aprendendo e muito. E como uma pessoa me disse, talvez não se precise de uma razão precisa para se terminar, apenas não querer se estar mais lá. Concordo, as vezes vou no fundo do poço, preciso ver tudo carbonizado e queimado, destruído e dito, para então ir embora. acho que dessa vez posso fazer diferente e ir embora antes que tudo desabe.
Não me sinto feliz com isso tudo, mas me sinto menos infeliz ao menos.
Meu mundo talvez esteja se encaminhando a fim de ser mais sozinha e me entender mais, conseguir dizer não, conseguir fazer o outro me merecer ao invés de me doar tão fácil.
Ah, o meu mundo podia ser menos preto e branco...
06/11/2012
Mais um dia... doente
Odeio ficar doente, mas também quem gosta?
Eu realmente odeio, mas principalmente pela sensação de vulnerabilidade. Não sei lidar com essa sensação de que eu preciso de alguém só pra me abraçar e ficar aqui comigo. Odeio essa sensação de mulher frágil, logo eu que faço de tudo pra ser sempre forte, a que cuida, a que faz, a que acontece.
E cá estou eu, faringoamigdalite. Tudo doendo e no último gargarejo eu vi até sangue.
E eu queria colo, queria alguém pra me abraçar, pra eu pedir colo, pra perguntar se eu quero água. E tudo o que eu tenho sou eu mesma, e nesses dias é difícil.
Eu entendi muita coisa nesses últimos dias, eu sou mesmo uma alma sem jeito. Meu coração não se contenta com nada e com ninguém. Nunca senti tanta falta daqueles dias, aqueles dias em que em me enganava, que eu amava um ser que hoje imagino que sequer lembrava de mim. Eu amava aquela ilusão. Já faz 4 anos e eu ainda sinto falta. Ainda me pergunto se ele mudou tanto, se ele ficou igual, se ele lembra de mim. Ele vai fazer um ano de namoro. E eu aqui me perguntando o que foi que eu fiz da minha vida. Parece que depois dele eu nunca mais a mesma. Eu fui modificada pra sempre. Porque eu provei daquela fruta do amor fácil, como a risada rouca, com o amor que dava um jeito, até amor no chão valia. Aquele amor de cinema, com direito a pipoca grande e coca cola.
Ele não é o mesmo, eu também não devo ser. Eu nunca vou saber de verdade com toda a certeza o que eu fui pra ele o que restou disso até hoje. E eu às vezes sinto falta. E pensar que fim do ano a gente vai se encarar de novo, não quero aquela linha de tensão no ar, quero apenas férias tranqüilas.
Hoje tenho alguém que me faz feliz, que tem a risada que mais parece um vilão, mas que sempre me faz rir. Adoro o abraço grande dele, como eu pareço pequena perto dele. Adoro o jeito como conversamos e resolvemos tudo na base da conversa, parecemos mais amigos que amantes, mas só de roupa. Eu sou o brinquedinho sexual dele e adoro quando ele me usa. Pareço despertar um desejo insano nele, só posso comparar com o meu desejo constante de amor carnal, que ultimamente não anda tão constante. Nunca fazemos amor, apesar de que tem dias que meu corpo se lembra disso a não muito tempo atrás. Com ele fazemos sexo, intenso, sem barreiras. Quero a força, a violência com que ele me bate e eu me derreto. Com ele aprendi a ser submissa, e que isso vem de mim. Ele me bate, me joga, me manda, e eu adoro. Ele me deu os orgasmos mais sensacionais, descobriu prazeres e lugares sensíveis que nunca ninguém tinha descoberto. Mas às vezes isso tudo não toca meu coração. No começo eu achava o sorriso dele tão bonito, com aquelas bochechas grandes e um ar tão simpático que simplesmente parecia outra pessoa, não parecia o homem que queria me bater até a pele mudar de cor, dentro de quatro paredes ele mais parecia um italiano fumando e olhando com aquele olhar fatal. Gosto dele, nunca tive ninguém assim, que gostasse de conversar, que quisesse saber tudo o que penso, que fosse tão sincero quanto eu. Mas quando a minha armadura cai, e eu deixo as brechas para ele me tocar e realmente me tocar por dentro, ele não vê. Tem dias que eu me sinto tão distante dele, tão somente minha. Mas eu sei que basta ouvir a voz dele que eu sei que na frente dele eu nunca vou ser menos do que completamente dele. Mas eu sinto e quase o tempo todo como se ele nunca fosse ser completamente meu. Ele é meu às vezes, um pouco, sei que ele se preocupa, sei que me ama, mas é como se meu coração não se sentisse liberto a amar ele. Talvez seja sempre medo, talvez eu realmente não esteja disposta a amar completamente e desmedidamente. Sei que esse tipo de sentimento é exatamente como a droga: é uma das melhores sensações mas tem um preço muito caro. Estou feliz de não estar totalmente sem salvação, de estar entregue, eu me sinto mais equilibrada. Mas eu adoro um desequilíbrio.
Talvez eu seja sem jeito mesmo, nunca me contente com nada. Cada um deles que tive foi diferente. Tive homens de todas as formas, e neles descobri todas minhas facetas. Descobri meu lado de menina, que só quer rir e amar. Descobri meu lado mulher que quer ser sexy e provocar. Descobri meu lado que cede, que faria tudo em nome daquele que ama. Descobri meu lado submissa, que gosta de ser mandada, xingada, comida com força e quer dar prazer acima de tudo. Descobri meu lado desconfiada, sempre colocando um pé atrás.
Descobri outras coisas também, que eu sou uma pessoa incrível que só quer fazer o bem, mas que também quero que me façam bem. Finalmente ando aprendendo o valor do pão inteiro que eu valho, ao invés das migalhas que eu costumava me fartar.
Mas sinto falta do amor, daquele amor sem medida, daquele sentimento que me abala, que me atravessa como um caminhão me atropelando. Eu costumava ficar de cama por dias, apenas olhando pro teto e sonhando com lábios, risadas e beijos. Será que vai ser pra sempre assim? Talvez não seja só minha garganta doente, talvez seja meu coração doente também.
Eu realmente odeio, mas principalmente pela sensação de vulnerabilidade. Não sei lidar com essa sensação de que eu preciso de alguém só pra me abraçar e ficar aqui comigo. Odeio essa sensação de mulher frágil, logo eu que faço de tudo pra ser sempre forte, a que cuida, a que faz, a que acontece.
E cá estou eu, faringoamigdalite. Tudo doendo e no último gargarejo eu vi até sangue.
E eu queria colo, queria alguém pra me abraçar, pra eu pedir colo, pra perguntar se eu quero água. E tudo o que eu tenho sou eu mesma, e nesses dias é difícil.
Eu entendi muita coisa nesses últimos dias, eu sou mesmo uma alma sem jeito. Meu coração não se contenta com nada e com ninguém. Nunca senti tanta falta daqueles dias, aqueles dias em que em me enganava, que eu amava um ser que hoje imagino que sequer lembrava de mim. Eu amava aquela ilusão. Já faz 4 anos e eu ainda sinto falta. Ainda me pergunto se ele mudou tanto, se ele ficou igual, se ele lembra de mim. Ele vai fazer um ano de namoro. E eu aqui me perguntando o que foi que eu fiz da minha vida. Parece que depois dele eu nunca mais a mesma. Eu fui modificada pra sempre. Porque eu provei daquela fruta do amor fácil, como a risada rouca, com o amor que dava um jeito, até amor no chão valia. Aquele amor de cinema, com direito a pipoca grande e coca cola.
Ele não é o mesmo, eu também não devo ser. Eu nunca vou saber de verdade com toda a certeza o que eu fui pra ele o que restou disso até hoje. E eu às vezes sinto falta. E pensar que fim do ano a gente vai se encarar de novo, não quero aquela linha de tensão no ar, quero apenas férias tranqüilas.
Hoje tenho alguém que me faz feliz, que tem a risada que mais parece um vilão, mas que sempre me faz rir. Adoro o abraço grande dele, como eu pareço pequena perto dele. Adoro o jeito como conversamos e resolvemos tudo na base da conversa, parecemos mais amigos que amantes, mas só de roupa. Eu sou o brinquedinho sexual dele e adoro quando ele me usa. Pareço despertar um desejo insano nele, só posso comparar com o meu desejo constante de amor carnal, que ultimamente não anda tão constante. Nunca fazemos amor, apesar de que tem dias que meu corpo se lembra disso a não muito tempo atrás. Com ele fazemos sexo, intenso, sem barreiras. Quero a força, a violência com que ele me bate e eu me derreto. Com ele aprendi a ser submissa, e que isso vem de mim. Ele me bate, me joga, me manda, e eu adoro. Ele me deu os orgasmos mais sensacionais, descobriu prazeres e lugares sensíveis que nunca ninguém tinha descoberto. Mas às vezes isso tudo não toca meu coração. No começo eu achava o sorriso dele tão bonito, com aquelas bochechas grandes e um ar tão simpático que simplesmente parecia outra pessoa, não parecia o homem que queria me bater até a pele mudar de cor, dentro de quatro paredes ele mais parecia um italiano fumando e olhando com aquele olhar fatal. Gosto dele, nunca tive ninguém assim, que gostasse de conversar, que quisesse saber tudo o que penso, que fosse tão sincero quanto eu. Mas quando a minha armadura cai, e eu deixo as brechas para ele me tocar e realmente me tocar por dentro, ele não vê. Tem dias que eu me sinto tão distante dele, tão somente minha. Mas eu sei que basta ouvir a voz dele que eu sei que na frente dele eu nunca vou ser menos do que completamente dele. Mas eu sinto e quase o tempo todo como se ele nunca fosse ser completamente meu. Ele é meu às vezes, um pouco, sei que ele se preocupa, sei que me ama, mas é como se meu coração não se sentisse liberto a amar ele. Talvez seja sempre medo, talvez eu realmente não esteja disposta a amar completamente e desmedidamente. Sei que esse tipo de sentimento é exatamente como a droga: é uma das melhores sensações mas tem um preço muito caro. Estou feliz de não estar totalmente sem salvação, de estar entregue, eu me sinto mais equilibrada. Mas eu adoro um desequilíbrio.
Talvez eu seja sem jeito mesmo, nunca me contente com nada. Cada um deles que tive foi diferente. Tive homens de todas as formas, e neles descobri todas minhas facetas. Descobri meu lado de menina, que só quer rir e amar. Descobri meu lado mulher que quer ser sexy e provocar. Descobri meu lado que cede, que faria tudo em nome daquele que ama. Descobri meu lado submissa, que gosta de ser mandada, xingada, comida com força e quer dar prazer acima de tudo. Descobri meu lado desconfiada, sempre colocando um pé atrás.
Descobri outras coisas também, que eu sou uma pessoa incrível que só quer fazer o bem, mas que também quero que me façam bem. Finalmente ando aprendendo o valor do pão inteiro que eu valho, ao invés das migalhas que eu costumava me fartar.
Mas sinto falta do amor, daquele amor sem medida, daquele sentimento que me abala, que me atravessa como um caminhão me atropelando. Eu costumava ficar de cama por dias, apenas olhando pro teto e sonhando com lábios, risadas e beijos. Será que vai ser pra sempre assim? Talvez não seja só minha garganta doente, talvez seja meu coração doente também.
18/09/2012
Visões de um túnel escuro
Não importa o quanto não é? Nunca é suficiente. Nunca é suficiente. Nunca é suficiente.
A gente dá a mão, dá o braço, se esforça, quer ser boa filha, boa neta, boa irmã, boa amiga, boa em tudo. Eu tenho essa ânsia absurda de sempre querer ser boa, sempre querer ser melhor. Um dia um monge budista me disse para nunca ter medo de ser melhor. E eu realmente sei que não tenho medo. Eu tenho uma necessidade. É coisa do meu lado perfeccionista. Eu sempre quero ser mais, melhor, perfeita. E eu me esforço. Ai ontem, vem minha mãe, essa mulher que tem esse poder mágico de acabar com o meu dia que até então estava bom, uma sensação de que as coisas iam melhorar e que podiam ser melhores. Ela quer conversar, mas não quero. Quero dormir bem, e sinto muito bem o tamanho da merda que ela vai jogar no ventilador do meu quarto e sair e quem vai ter que ficar aqui pra sentir o cheiro sou eu. Ela não me respeitou, invadiu meu espaço e falou que eu não tenho escapatória. E ela acaba comigo, ela nem tem ideia, eu sei. Ela fala que sou irresponsável. Talvez chegar em casa meio bêbada as sete da matina possa ser um pouco irresponsável, mas ela generaliza. Fala que não ajudo em nada, que sou uma decepção. É assim então? Não importa o quanto de tudo de bom que você faça, aquele pequeno deslize define você. Não importa os dias que você ajudou, que eu me engoli e fiz por eles, que eu deixei de sair para estar com eles, não importa. É aquele dia que te define.
Falou também que eu dou mais trabalho que uma menina de 15 anos. E se bem me recordo quando eu tinha 15 anos eu estava em depressão, tentando me matar. Será que chegar ás seis da matina em casa alcoolizada equivale a tentativa de suicídio? Que cálculo mais idiota.
Também disse que eu sou fácil, que meu homem não me daria valor. Que o meu ex fez de mim gato e sapato, me humilhou e me destratou, que eu sou babaca dos outros, uma panaca. Tão gostoso ouvir isso, que eu ajudo os outros mas no fim eu sou a panaca. Que eu fiz de tudo para que uma pessoa que eu amava que eu pensava que me amava de volta e ela não fez e que no fim a culpa é minha. Eu não acredito que eu tenha que maltratar alguém para que essa pessoa me ame, não acredito e não vou fazer isso. Porque trato os outros da mesma forma que espero ser tratada. Não acredito que eu tenha que me mudar porque desse jeito eu não vou ser valorizada. Eu não acredito em ter que perder pra dar valor.
Ela roubou a chave do meu quarto. Eu tinha uma chave preciosa que me permitia me masturbar sem ter medo de ser pega, que eu podia trocar de roupa sem que ela viesse olhar meu corpo, essa invasão que ela nem percebe, essa chave que permitia que eu me sentisse segura e tivesse privacidade na minha própria casa. Mas não tenho mais direito à isso porque ela acredita que eu moro na casa dela e eu não posso ter respeito e nem privacidade porque moro com ela. Eu nem acredito nisso, me sinto como uma perfeita drogada que perdeu seus direitos por causa do vício.
Não tenho direito à mais nada nessa casa, nem à respeito, nem à viver um pouco, nem dormir fora de casa. E eu ainda quero rir porque tenho 25 anos e me sinto como uma adolescente de 15 escrevendo isso. Estou me sentindo totalmente desrespeitada, porque sinceramente as pessoas me olham, as pessoas que me conhecem dizem tanta coisa boa de mim. Dizem que tenho um coração enorme, que sou bondosa, que ficam inspiradas a ajudar e ser melhor. Mas aqui nessa casa eu me sinto um lixo, me sinto como uma menina drogada, uma pessoa ruim que eu sei que não sou.
Ela disse que me comporto como uma periguete dormindo com meu namorado. Então é isso? Eu sou uma puta, uma vadia porque escolhi o que fazer com meu corpo? Eu pensava que periguete saía todo dia com um cara diferente e dormia com ele. E mesmo assim ainda é o corpo dela e opção dela, eu não tenho direito de achar isso um absurdo. Essa mesma mãe que me diz isso já me disse que pegou em diferentes pintos na vida, mas que só deu pro meu pai. Ah, que romântico, a senhora é mesmo uma santa.
E eu vou transar sim com ele, porque tenho vontade, tenho tesão e essa é uma das poucas liberdades que não permito que ela me tire. Ela pode tirar meu carro, a minha liberdade de locomoção fácil. Ela pode até me tirar o respeito, mas ela nunca vai me tirar a minha liberdade. Essa é a única que eu tenho, a liberdade de morar nessa casa e me sentir parte dela, e não subordinada à ela. Sei que tenho regras e que tenho que respeitar a convivência em coletivo, mas ela não vai em transformar numa criança que ela manda e desmanda.
Agora, eu me sinto um peso, um problema nessa casa. Me sinto como uma doença que atrapalha o hospedeiro.
E pra finalizar o discurso muito inspirador, ela disse que tenho até o fim do ano para mudar a minha vida. Que ameaça bonita. Mas vazia, porque afinal o que ela quer? Quer que eu saia de casa? Quer que eu passe num concurso? Afinal, eu tenho que levar a vida que ela quer que eu leve?
O que ela disse me fez sentir diferente. Me fez sentir indesejada na casa que moro faz 25 anos. Então eu não sou mais bem vinda aqui. Eu sou um problema, uma doença que se não melhorada conforme os desejos deles, tenho que ser eliminada.
Tenho uma capacidade ilimitada de perdoar, mas até eu (vejam só, até eu!) tenho limites. Ela ultrapassou todos, eu tenho direito à respeito, à privacidade, à viver. E se ela quer me tirar isso tudo, eu não vou permitir. Aqui eu declaro com grandes e garrafais letras que eu me amo, eu me adoro, eu me aprecio e não quero ser outra pessoa, quero os meus defeitos, meus desgostos, meu peso, meu corpo, meu tudo. Me declaro posse minha, não vou deixar ninguém me machucar embora isso vá acontecer. Sou minha protetora, minha mãe, minha justiça. Eu não vou me sentir assim, nunca mais. Nunca mais vou sentir que eu sou um problema, que eu sou um estorvo, se eu sou um problema que eu seja um problema meu.
Dito isso, sei o que tenho que fazer. Vou ter que mudar tudo, vou ter que mudar a pessoa que sou na minha casa, vou ter que mudar o que defini pro meu futuro, agora minha prioridade não pode ser eu, não pode ser mais o que eu gostaria de ser e a vida que eu gostaria de levar. Agora a prioridade é tratar os outros aqui como eles me tratam. Agora eu quero ser ruim, agora eu quero ser maldosa, tocar o foda-se e ignorar. Não vou mais sair com eles, não vou mais jantar fora ou almoçar fora. Melhor não comer e emagrecer de fato. Não vou mais sentar para ter conversinhas legais, escutar os problemas deles, oferecer a mão. Meu avô está fora disso tudo, com ele vou até o inferno e faço o que tenho que fazer. Ele é o meu pai de verdade, ele me protege. Me sinto indefesa, sem saber a quem peço ajuda. Vou pedir ajuda para quem no final se a responsabilidade é minha?
E nesse momento de extrema fragilidade, de quem não para de chorar diante da impotência da própria vida, eu só posso contar comigo porque sempre vai ser assim. Se eu contar com outra pessoa, um dia essa pessoa poder não estar comigo, eu sou sempre meu único refúgio. Me sinto fraca e vou ter que ser muito forte. Eu preciso ser forte. Preciso engolir esse choro e encontrar respostas. Encontrar um jeito de sair daqui.
Chega de chorar, sua babaca, afinal de que adianta? Acha que alguém vai ter peninha de você? A gente só combate fogo com fogo. Nenhuma batalha se vence com bondade, e um elefante só se come de pedaço em pedaço.
Eu estou tentando dar ao problema a dimensão que ele tem.
Mas é difícil quando tudo o que sinto é uma vontade enorme de fazer maldade, fazer ela sentir o que eu senti ontem.
Pela primeira vez na vida quero ser má. Alguém por favor me tira daqui.
A gente dá a mão, dá o braço, se esforça, quer ser boa filha, boa neta, boa irmã, boa amiga, boa em tudo. Eu tenho essa ânsia absurda de sempre querer ser boa, sempre querer ser melhor. Um dia um monge budista me disse para nunca ter medo de ser melhor. E eu realmente sei que não tenho medo. Eu tenho uma necessidade. É coisa do meu lado perfeccionista. Eu sempre quero ser mais, melhor, perfeita. E eu me esforço. Ai ontem, vem minha mãe, essa mulher que tem esse poder mágico de acabar com o meu dia que até então estava bom, uma sensação de que as coisas iam melhorar e que podiam ser melhores. Ela quer conversar, mas não quero. Quero dormir bem, e sinto muito bem o tamanho da merda que ela vai jogar no ventilador do meu quarto e sair e quem vai ter que ficar aqui pra sentir o cheiro sou eu. Ela não me respeitou, invadiu meu espaço e falou que eu não tenho escapatória. E ela acaba comigo, ela nem tem ideia, eu sei. Ela fala que sou irresponsável. Talvez chegar em casa meio bêbada as sete da matina possa ser um pouco irresponsável, mas ela generaliza. Fala que não ajudo em nada, que sou uma decepção. É assim então? Não importa o quanto de tudo de bom que você faça, aquele pequeno deslize define você. Não importa os dias que você ajudou, que eu me engoli e fiz por eles, que eu deixei de sair para estar com eles, não importa. É aquele dia que te define.
Falou também que eu dou mais trabalho que uma menina de 15 anos. E se bem me recordo quando eu tinha 15 anos eu estava em depressão, tentando me matar. Será que chegar ás seis da matina em casa alcoolizada equivale a tentativa de suicídio? Que cálculo mais idiota.
Também disse que eu sou fácil, que meu homem não me daria valor. Que o meu ex fez de mim gato e sapato, me humilhou e me destratou, que eu sou babaca dos outros, uma panaca. Tão gostoso ouvir isso, que eu ajudo os outros mas no fim eu sou a panaca. Que eu fiz de tudo para que uma pessoa que eu amava que eu pensava que me amava de volta e ela não fez e que no fim a culpa é minha. Eu não acredito que eu tenha que maltratar alguém para que essa pessoa me ame, não acredito e não vou fazer isso. Porque trato os outros da mesma forma que espero ser tratada. Não acredito que eu tenha que me mudar porque desse jeito eu não vou ser valorizada. Eu não acredito em ter que perder pra dar valor.
Ela roubou a chave do meu quarto. Eu tinha uma chave preciosa que me permitia me masturbar sem ter medo de ser pega, que eu podia trocar de roupa sem que ela viesse olhar meu corpo, essa invasão que ela nem percebe, essa chave que permitia que eu me sentisse segura e tivesse privacidade na minha própria casa. Mas não tenho mais direito à isso porque ela acredita que eu moro na casa dela e eu não posso ter respeito e nem privacidade porque moro com ela. Eu nem acredito nisso, me sinto como uma perfeita drogada que perdeu seus direitos por causa do vício.
Não tenho direito à mais nada nessa casa, nem à respeito, nem à viver um pouco, nem dormir fora de casa. E eu ainda quero rir porque tenho 25 anos e me sinto como uma adolescente de 15 escrevendo isso. Estou me sentindo totalmente desrespeitada, porque sinceramente as pessoas me olham, as pessoas que me conhecem dizem tanta coisa boa de mim. Dizem que tenho um coração enorme, que sou bondosa, que ficam inspiradas a ajudar e ser melhor. Mas aqui nessa casa eu me sinto um lixo, me sinto como uma menina drogada, uma pessoa ruim que eu sei que não sou.
Ela disse que me comporto como uma periguete dormindo com meu namorado. Então é isso? Eu sou uma puta, uma vadia porque escolhi o que fazer com meu corpo? Eu pensava que periguete saía todo dia com um cara diferente e dormia com ele. E mesmo assim ainda é o corpo dela e opção dela, eu não tenho direito de achar isso um absurdo. Essa mesma mãe que me diz isso já me disse que pegou em diferentes pintos na vida, mas que só deu pro meu pai. Ah, que romântico, a senhora é mesmo uma santa.
E eu vou transar sim com ele, porque tenho vontade, tenho tesão e essa é uma das poucas liberdades que não permito que ela me tire. Ela pode tirar meu carro, a minha liberdade de locomoção fácil. Ela pode até me tirar o respeito, mas ela nunca vai me tirar a minha liberdade. Essa é a única que eu tenho, a liberdade de morar nessa casa e me sentir parte dela, e não subordinada à ela. Sei que tenho regras e que tenho que respeitar a convivência em coletivo, mas ela não vai em transformar numa criança que ela manda e desmanda.
Agora, eu me sinto um peso, um problema nessa casa. Me sinto como uma doença que atrapalha o hospedeiro.
E pra finalizar o discurso muito inspirador, ela disse que tenho até o fim do ano para mudar a minha vida. Que ameaça bonita. Mas vazia, porque afinal o que ela quer? Quer que eu saia de casa? Quer que eu passe num concurso? Afinal, eu tenho que levar a vida que ela quer que eu leve?
O que ela disse me fez sentir diferente. Me fez sentir indesejada na casa que moro faz 25 anos. Então eu não sou mais bem vinda aqui. Eu sou um problema, uma doença que se não melhorada conforme os desejos deles, tenho que ser eliminada.
Tenho uma capacidade ilimitada de perdoar, mas até eu (vejam só, até eu!) tenho limites. Ela ultrapassou todos, eu tenho direito à respeito, à privacidade, à viver. E se ela quer me tirar isso tudo, eu não vou permitir. Aqui eu declaro com grandes e garrafais letras que eu me amo, eu me adoro, eu me aprecio e não quero ser outra pessoa, quero os meus defeitos, meus desgostos, meu peso, meu corpo, meu tudo. Me declaro posse minha, não vou deixar ninguém me machucar embora isso vá acontecer. Sou minha protetora, minha mãe, minha justiça. Eu não vou me sentir assim, nunca mais. Nunca mais vou sentir que eu sou um problema, que eu sou um estorvo, se eu sou um problema que eu seja um problema meu.
Dito isso, sei o que tenho que fazer. Vou ter que mudar tudo, vou ter que mudar a pessoa que sou na minha casa, vou ter que mudar o que defini pro meu futuro, agora minha prioridade não pode ser eu, não pode ser mais o que eu gostaria de ser e a vida que eu gostaria de levar. Agora a prioridade é tratar os outros aqui como eles me tratam. Agora eu quero ser ruim, agora eu quero ser maldosa, tocar o foda-se e ignorar. Não vou mais sair com eles, não vou mais jantar fora ou almoçar fora. Melhor não comer e emagrecer de fato. Não vou mais sentar para ter conversinhas legais, escutar os problemas deles, oferecer a mão. Meu avô está fora disso tudo, com ele vou até o inferno e faço o que tenho que fazer. Ele é o meu pai de verdade, ele me protege. Me sinto indefesa, sem saber a quem peço ajuda. Vou pedir ajuda para quem no final se a responsabilidade é minha?
E nesse momento de extrema fragilidade, de quem não para de chorar diante da impotência da própria vida, eu só posso contar comigo porque sempre vai ser assim. Se eu contar com outra pessoa, um dia essa pessoa poder não estar comigo, eu sou sempre meu único refúgio. Me sinto fraca e vou ter que ser muito forte. Eu preciso ser forte. Preciso engolir esse choro e encontrar respostas. Encontrar um jeito de sair daqui.
Chega de chorar, sua babaca, afinal de que adianta? Acha que alguém vai ter peninha de você? A gente só combate fogo com fogo. Nenhuma batalha se vence com bondade, e um elefante só se come de pedaço em pedaço.
Eu estou tentando dar ao problema a dimensão que ele tem.
Mas é difícil quando tudo o que sinto é uma vontade enorme de fazer maldade, fazer ela sentir o que eu senti ontem.
Pela primeira vez na vida quero ser má. Alguém por favor me tira daqui.
12/08/2012
Semana difícil
Quando a gente acha que a vida vai seguir na sua costumeira calmaria, tudo vira de ponta cabeça e subitamente, eu sinto falta da minha entediante paz. Estou ainda tentando voltar pra aquela paz, aquela segurança de que por menor que eu esteja restringindo meu mundo, ele fica mais confortável, eu e meu ballet. Mas ai o passado parece me assombrar e aparece subitamente e remexe com toda a paz e ela some como a neblina exposta ao sol. De repente, eu me vi interessada em encarar esse passado e saber o que de fato ficou dele. Essa semana eu me vi infurnada nas lembranças, nas coisas boas e ruins, nos momentos que ficaram de fato. E até nos pequenos detalhes que eu me peguei sabendo sem esquecer.
E encará-lo foi enervante. Me senti muito, muito nervosa. Quando pus os olhos nele, meu coração se acelerou e eu me senti como uma garotinha. Fiquei muito feliz de vê-lo se arrepender, eu sempre fiquei pensando que ele nunca veria o quanto errou. E ele pediu desculpas, e de alguma forma isso foi um consolo pra feridas magoadas que ainda carrego. Foi um alívio saber que depois de tudo o que eu fiz, ele também conseguiu ver que ele também deixou tudo ruir. Porque eu já sabia que eu tenho uma grande parte de culpa nisso. Minha falta de experiência ajudou com que tudo ruísse.
Foi muito triste vê-lo assim, num buraco sem fundo, numa tristeza, numa falta de crença nele mesmo, parecia tão distante do homem que eu amei. Pareceu tão vazio. Apesar das roupas pouco ou anda atraentes (ao menos ele deveria ter vestido roupas que me fizessem sentir saudade), meu corpo reagiu ao dele, eu agradeci o fato de ele ter mantido as mãos para ele mesmo, eu tinha um medo de que se ele me tocasse algo acontecesse. Mas vê-lo naquela tristeza, eu tive a certeza de que ele não é mais parte do meu presente. Se por acaso ele tivesse tentado me reconquistar, tivesse pedido pra aos poucos, ao menos retomar a amizade, quem sabe, quem sabe Deus o que eu teria dito. Provavelmente eu teria me balançado. Foi um alivio poder dizer tudo e saber que no fim, foi o medo dele que estragou tudo. Foi o medo de eu o trocar. Chego a rir dessa pobre possibilidade. Eu estava profundamente apaixonada por aquele homem, aquele homem que nunca soube me dar colo, que disse uma única vez que me amava, que as vezes me olhava eu eu via no olhar dele o quanto eu mexia com ele. Aquele mesmo homem que me satisfazia, que eu queria tanto conhecer e o pouco que eu conhecia eu já amava. Esse mesmo homem que fez com que eu tivesse raiva, que eu chorasse de alegria e de tristeza, aquele mesmo homem que me fez perceber que ser frágil era bom, que ter intimidade era maravilhoso, que precisar de alguém podia ser bom.
Mas ele também me fez ter medo de mim, me deixou sentir mais solidão com ele do que eu jamais havia sentido sozinha. E agora que tudo acabou eu mesma me perguntei se eu seria capaz de voltar. Voltar para o que? Para o medo de ele fazer o mesmo de novo? Voltar para um relacionamento onde eu tinha que comandar, que eu buscava? Hoje, eu queria alguém mais capaz de cuidar de mim, um relacionamento de igual para igual. Que a gente se parecesse mais, que a gente se bastasse, só a gente embaixo de um cobertor vendo filme.
E isso tudo é um sonho lindo que eu sei que é distante. Não sei sequer se existe, mas não canso de ter esperanças. Não sei o que o destino me reserva, só sei que posso imaginar, e eu me peguei imaginando se tudo tivesse sido diferente, eu ainda podia amar ele?
E encará-lo foi enervante. Me senti muito, muito nervosa. Quando pus os olhos nele, meu coração se acelerou e eu me senti como uma garotinha. Fiquei muito feliz de vê-lo se arrepender, eu sempre fiquei pensando que ele nunca veria o quanto errou. E ele pediu desculpas, e de alguma forma isso foi um consolo pra feridas magoadas que ainda carrego. Foi um alívio saber que depois de tudo o que eu fiz, ele também conseguiu ver que ele também deixou tudo ruir. Porque eu já sabia que eu tenho uma grande parte de culpa nisso. Minha falta de experiência ajudou com que tudo ruísse.
Foi muito triste vê-lo assim, num buraco sem fundo, numa tristeza, numa falta de crença nele mesmo, parecia tão distante do homem que eu amei. Pareceu tão vazio. Apesar das roupas pouco ou anda atraentes (ao menos ele deveria ter vestido roupas que me fizessem sentir saudade), meu corpo reagiu ao dele, eu agradeci o fato de ele ter mantido as mãos para ele mesmo, eu tinha um medo de que se ele me tocasse algo acontecesse. Mas vê-lo naquela tristeza, eu tive a certeza de que ele não é mais parte do meu presente. Se por acaso ele tivesse tentado me reconquistar, tivesse pedido pra aos poucos, ao menos retomar a amizade, quem sabe, quem sabe Deus o que eu teria dito. Provavelmente eu teria me balançado. Foi um alivio poder dizer tudo e saber que no fim, foi o medo dele que estragou tudo. Foi o medo de eu o trocar. Chego a rir dessa pobre possibilidade. Eu estava profundamente apaixonada por aquele homem, aquele homem que nunca soube me dar colo, que disse uma única vez que me amava, que as vezes me olhava eu eu via no olhar dele o quanto eu mexia com ele. Aquele mesmo homem que me satisfazia, que eu queria tanto conhecer e o pouco que eu conhecia eu já amava. Esse mesmo homem que fez com que eu tivesse raiva, que eu chorasse de alegria e de tristeza, aquele mesmo homem que me fez perceber que ser frágil era bom, que ter intimidade era maravilhoso, que precisar de alguém podia ser bom.
Mas ele também me fez ter medo de mim, me deixou sentir mais solidão com ele do que eu jamais havia sentido sozinha. E agora que tudo acabou eu mesma me perguntei se eu seria capaz de voltar. Voltar para o que? Para o medo de ele fazer o mesmo de novo? Voltar para um relacionamento onde eu tinha que comandar, que eu buscava? Hoje, eu queria alguém mais capaz de cuidar de mim, um relacionamento de igual para igual. Que a gente se parecesse mais, que a gente se bastasse, só a gente embaixo de um cobertor vendo filme.
E isso tudo é um sonho lindo que eu sei que é distante. Não sei sequer se existe, mas não canso de ter esperanças. Não sei o que o destino me reserva, só sei que posso imaginar, e eu me peguei imaginando se tudo tivesse sido diferente, eu ainda podia amar ele?
05/08/2012
Trecho 3
"Embora agora ela estivesse dirigindo para casa, o pequeno prazer de saber que em breve estaria debaixo das cobertas foi encoberto pelas cenas que ainda pareciam povoar suas pupilas. O cheiro dele, o estranho prazer que sentia quando trocavam essas carícias meramente sexuais. Nenhum rapaz havia conseguido com que ela se sentisse assim, como se o desejo derretido como lava penetrasse na pele e escoasse lentamente e as vezes subitamente, até atingir o ápice entre suas pernas. Ela estremeceu. Como se mesmo agora ela ainda pudesse sentir o hálito dele, o pequeno gemido que ele soltava entre suspiros quando ela lhe dava aquele prazer submisso. Ela se sentia nada submissa quando sentia que colocando o membro dele entre os lábios, ele tinha um sabor tão doce e viciante. Ela se sentia tão hipnotizada por engolir e saborear a curva doce, alongar até o máximo de sua mandíbula, ele a fazia salivar, e ela se deliciava com a visão, a pele imaculadamente branca dele e aquela pinta curiosa que ele tinha bem ali na virilha. Engolia e se sentia tão excitada por ele e pelo sabor dele e pela imenso volume que ele ocupava na boca dela.
Enquanto ela investia fervorosamente contra ele, ele segurou com força o rabo de cavalo dela, ele não queria forçar ela e demandar um ritmo, mas foi involuntário. Aquela pequena demonstração de força reverberou como arrepios fortes de prazer desde o couro cabeludo até as pernas. Ele anda não sabia, mas ela gostava de força, de ser tomada por uma cadência de dor saborosa. Aquela pequena dor fez com que ela se sentisse completamente ensopada. Ela sugou com ainda mais força e ele se contorceu e gozou. Ele fechou os olhos e adormeceu quase que instantaneamente dentre a neblina grossa do orgasmo.
E ela então se sentiu nua, o frio que ela sentiu foi maior que o frio que entrava pelas frestas do vidro. Foi o frio da falta do sentimento. Foi a nudez de sexo que não significava nada e expunha a grande fome que estava ali, a fome do sentir, a vontade de querer algo que aquele sexo jamais iria suprir. Ela logo empurrou os sentimentos para aquele canto esquecido. Depois lido com isso, não vou me deixar cair em lágrimas na frente dele. Ele ficou parado silenciosamente por alguns minutos e ela não sabia bem o que dizer.
- Sei que você está cansado, talvez seja melhor você subir e ir dormir.
- Não, quero ficar aqui com você.
Que ingênuo, quer ficar aqui para que não pareça que foi apenas isso, mas continua sendo só sexo. Ele deveria ir embora, não por ele, mas por mim, eu ia adorar ir pra casa e dormir.
Ela se deixou olhar para ele, e ele era bonito. Ele era completamente o tipo de cara que ela não se permitia gostar, ele era bonito demais. E loiro. E parecia um sonho dormindo. Cacete, a ultima coisa que eu quero na vida é me apaixonar por um cara assim, um cara que quer apenas sexo, um cara que não iria gostar de mim, talvez não seja bom que eu fique olhando para ele.
Ela se permitiu devanear olhando pro céu noturno. Mas ainda dava relances para ele, e ele parecia mesmo adormecido.
Um som e alguns mendigos apareceram e ela ficou completamente em alerta. Olhando para o retrovisor, ficou vigiando o movimentos deles, e então uma mão atravessou sua visão e apertaram o trinco da porta do carro. Ele havia acordado, talvez com o movimento súbito que ela fez para melhor ver os rapazes que apareceram.
- É, talvez seja melhor você ir para casa, aqui está meio perigoso e eu estou sonolento.
- Sim, é melhor.
Ele se abaixou para dar a ela um beijo de despedida, e como numa coincidência maldita, ele entrou num facho de luz e os olhos verde água dele ficaram emoldurados pela luz, ele pareceu quase etéreo. Ela ficou congelada, se permitiu o pequeno beijo de despedida, mas aquele pequeno momento ficou bem gravado na cabeça dela.
Agora ela piscava a caminho de casa e um pequeno incômodo se alojou bem ali no peito, havia tempo demais que ela sentia falta de gostar de alguém mas aquele com certeza não era o momento e nem a pessoa. Quem sabe um dia eu esteja errada, talvez ainda haja esperança afinal, pode ser que demore, mas eu ainda vou esperar. Uma prece tão rápida, mas ela quase viu uma pequena estrela cadente e se aqueceu por dentro de esperança."
04/08/2012
O mundo sempre gira, e as vezes por mais que queiramos que ele fique em um lugar, as vezes as coisas realmente não são pra ser. O que posso dizer? Meu imaginário tem sido povoado por um homem fora do meu alcance. Não porque eu não o possa ter, mas porque sempre que ele está ao alcance da mão, não o alcanço. Sempre que meus dedos roçam sua pele imperfeita, ele escapa, parece mais distante. E isso me enfurece. Porque ele insiste em flertar comigo, insiste em olhares e palavras doces e picantes e não ataca. Eu me sinto cansada do cerco. Quero muito a ação mas por muito já me enfureci!
31/07/2012
Trecho 2
"O que ela poderia dizer? Agora encarava o celular e a mensagem que havia recebido. Deveria responder? Soube de imediato que seu coração havia acelerado e seu fôlego baixo e descompassado eram todos reações visíveis a mera mensagem que havia recebido. Era ele. Era ele? Nem podia crer no suas pupilas viam e reliam tentando realmente entender e encorporar a mensagem que parecia pairar no ar. Layla continuava a encarar o celular e sem saber o que fazer, sentiu seus músculos internos se contrair e dar-lhe um pouco dos arrepios que havia esquecido desde a última vez que o tinha visto. Tesão puro e líquido como lava se alocou ali, entre as pernas. Como num flash, ela retornou para a memória recente a imagem dele. Ele cheirava testosterona. Deus, como um homem pode povoar meu imaginário assim se sequer eu o toquei? Seus braços eram deveramente musculosos e suas tatuagens lhe davam um ar tão selvagem e bruto que não combinava com a docilidade dele. Ele tinha uma voz enrouquecida de cigarros fumados, um rosto bruto e um sorriso tão infantil e tão natural. E apesar de toda a máscara e visual masculino e viril, ele era tão gentil que a surpreendia. Sempre era educado demais e a encantava ver aquele homem forte, tatuado em excesso ter uma calma e um sorriso tão contagiante. E naquele mesmo segundo, arrepios fortes percorrem as pernas de Layla e lhe disseram a mensagem que ela mesma lia no celular. "Quero te ver. Quer ver um filme? Estou com saudades e você parece fugir de mim hehehe. Sábado, ás 14 hrs."
Toda aquela masculinidade misturada aquele ar menino parecia confuso mas de certa forma combinava demais com ele. Ela jamais negaria a ele qualquer coisa que fosse, mas naquele instante viu a si mesma sorrir levemente, aquele sorriso de quem combina suas fantasias com um futuro tão próximo."
Toda aquela masculinidade misturada aquele ar menino parecia confuso mas de certa forma combinava demais com ele. Ela jamais negaria a ele qualquer coisa que fosse, mas naquele instante viu a si mesma sorrir levemente, aquele sorriso de quem combina suas fantasias com um futuro tão próximo."
Trecho 1
"E ali estava ela, deitada e pensando. Aprendendo a analisar o que havia acontecido de tão repentino. Não pode deixar de franzir o cenho e deixar as outras suas duas partes se incluírem na conversa. Fechando os olhos bem pode visualizar o grande gaiola na qual havia aprisionado seu coração á algum tempo. No canto mais escuro e sombrio da cela lá estava ela. Aquela parte de si mesma que, naquele acordo prévio, tinha concordado em viver ali aprisionada. A moça no canto estava encolhida, sentada em posição fetal. Seus cabelos vermelho vivo agora estavam embaçados e sem vida. Caiam em plena confusão ao redor dela. Suas feições eram agoniadas mas reticentes. Ela havia aceitado viver ali, onde nada a tocaria e nem a machucaria como daquela vez. Os braços magros e sem vida, estava abraçando as pernas e como numa posição de medo. Estava aprisionada ali para curar aquelas feridas, aquelas que tinham aparecido e agora ainda fechavam vagarosamente pelo corpo. Uma delas corria do tornozelo até a parte mais alta do quadril, aquela ainda doía muito. Os farrapos escurecidos que ela vestia mal lembravam as roupas que ela tinha usado um dia. Era um ser aprisionado por tempo demais. A única coisa que se moviam eram as lágrimas que incessantemente corriam de sua face deixando sulcos claros na pele suja da prisioneira. Seus olhos permaneciam fechados.
Layla encarou sua cena mental, era fantasiosa mas claramente era real para ela. Era assim que tinha feito para viver, escondido e aprisionado tudo o que sentia. Ali a escuridão jamais permitiria que a prisioneira pudesse sentir de fato o que tinha acontecida, ou assim ela pensava. Layla enfim relaxou e se deixou levar ao sono mais leve que aparecia. Ela podia encarar a situação de frente sem se envolver, ela firmemente pensou e tentou se convencer o máximo de que seria melhor. Seu corpo foi naturalmente levado ao mundo dos sonhos e de um sono leve, onde ela sonhou a noite toda com a sua companheira prisioneira. Mas em seus sonhos, a prisioneira abria os olhos mais verdes vivos que nunca e que alumiavam toda a cela e sorria um sorriso torto e demente e dizia "Sim, nós vamos sair e você nunca vai perceber, alguém vai vir e nos soltar e quando você perceber, nós voltaremos a gloria de outrora." E nos sonhos turbulentos Layla via uma mão que abria a cela e o sorriso demente da prisioneira era por demais risonho, triunfal. "
Layla encarou sua cena mental, era fantasiosa mas claramente era real para ela. Era assim que tinha feito para viver, escondido e aprisionado tudo o que sentia. Ali a escuridão jamais permitiria que a prisioneira pudesse sentir de fato o que tinha acontecida, ou assim ela pensava. Layla enfim relaxou e se deixou levar ao sono mais leve que aparecia. Ela podia encarar a situação de frente sem se envolver, ela firmemente pensou e tentou se convencer o máximo de que seria melhor. Seu corpo foi naturalmente levado ao mundo dos sonhos e de um sono leve, onde ela sonhou a noite toda com a sua companheira prisioneira. Mas em seus sonhos, a prisioneira abria os olhos mais verdes vivos que nunca e que alumiavam toda a cela e sorria um sorriso torto e demente e dizia "Sim, nós vamos sair e você nunca vai perceber, alguém vai vir e nos soltar e quando você perceber, nós voltaremos a gloria de outrora." E nos sonhos turbulentos Layla via uma mão que abria a cela e o sorriso demente da prisioneira era por demais risonho, triunfal. "
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