Depois dos últimos dias meu coração se encontrava soturno. Escondido em meios à escuridão das ruas, onde somente seu perfil era visível. Seu perfil e a fumaça de seu cigarro solitário. Estava assim, a espera de algo ruim que fosse pular do meio da escuridão e fazer jorrar o sangue que ainda teimava em bater. Sonhando pelo melhor, esperando o pior. Também não seria diferente, depois de todas cicatrizes.
Mas ao contrário, algo rodopiou na mão do destino e mudou tudo. Algo acontece quando você chora por alguém, algo sempre acontece. No meu caso, dei me conta de que apesar de diferente, o sentimento que venho sentido é conhecido. E não pode ser descartado mais. Eu que clamava sempre pela minha liberdade, me vi viciada num sentimento diferente e indefinível. Totalmente inédito porém familiar.
Quando o vi, foi como ver uma velha imagem, não há novidades. Mas então, quando ele tocou minha mão, algo de diferente e maravilhoso aconteceu. Uma centelha elétrica caminhou pelos meus braços e disritmou meu batimento cardíaco. Sabe quando lemos nos livros que a garota encosta no rapaz e uma espécie de eletricidade começa a fluir? Foi como se todos os livros que eu já li jamais tivessem me prepararam para o que senti. Senti exatamente no peito, uma centelha elétrica e passou a aquecê-lo e acelerá-lo. e durante o resto do dia ela permaneceu, um estado constante de arrepio. Ali eu soube que algo havia mudado. Não sentia mais o ar da dúvida nem o sopro do meu demônio. Ali uma espécie de paz se instalou que ainda agora parece me dominar. Não houve mais dúvida quanto à definição daquele momento.
Nenhum comentário:
Postar um comentário