Existe algo de estranho no amor. Não existe bebida mais pura ou licor mais doce sem jamais ter sido provado. Como se o próprio coração soubesse o sabor de outras vidas. E mesmo assim, ele se torna veneno e intoxica a alma ao menor sinal de dor. O amor é uma faca, pode servir para abrir doces frutas, ou abrir perigosas injúrias. Não, não existe a vida sem o amor.
"Lá estava ela, deitava, envolta pela fina luz que indicava o começo do dia. Seus lhos já estavam abertos, mas sua alma ainda estava adormecida de sonhos. Sonhava ela com doces sorrisos, penetrantes calafrios causados por pontas de dedos, sonhava ela e não se cansava de sonhar. Ela fechava os olhos e neles não haviam imagens e sim sensações. Neles haviam beijos calorosos, suspiros e fôlegos roubados. Neles havia a paixão que somente um coração enamorado teria. Tenho pena dessa menina. Outrora eu também provara desse doce que mais se torna uma droga das quais não se pode viver sem. Eu também sei como o coração bate acelerado, como nosso olfato nos engana com cheiros que não estão lá, sei como é alegria de um novo amor. Mas sei também das lágrimas que virão, das decepções, da dor que somente o mais doce e puro amor pode causar. Pobre menina, iludida na neblina dos novos enamorados. Ainda há de cair no alçapão dos cegos perdidos de amor.
Enquanto a observo, sinto uma leve dor estranha, uma que repousa aqui, cá do lado do peito. Não, não é bem uma dor, a dor de amor e dos corações partidos me foi amiga por demais. Essa dor é um suspiro. Essa dor é uma angústia, uma lágrima carente e amargurada que cai. Sim, também tenho inveja dessa pobre menina. Pois sei bem, que apesar de todos os males e dores, o amor vale por tudo isso.
Ela fecha seus olhos num sorriso quase doce, pura e inocente de meu olhar. Oh, doce menina, que um dia eu também possa sorrir novamente e suspirar por um novo amor."
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