20 de nov. de 2010

Um futuro incerto...

Ah, eu gostaria de lhe dar palavras certas, de te contar um futuro certo, tão certo como uma estrada que tem fim.
Eu gostaria de lhe contar sobre minhas idéias como se elas fossem se tornar um amanhã claro em frente ao mar.
Eu gostaria de sentar sob a sombra de uma árvore mansa e sob uma brisa regular lhe falar como amanhã seria, como depois de amanhã seria. E assim, infinitamente. Mas o amanhã se torna uma mancha dentro da palma da minha mão que escorre sem direção, sem porque, sem corrimão.
Eu posso então lhe dizer sobre um passado. Mas isso não seria novo. Nem seria excitante. Acho tremendamente mais interessante as páginas de um livro novo, uma história nova!
"... e então os olhos delas era súplicas incessantes de que eu me aproximasse mais, e apesar de toda minha insegurança, meus instintos me empurravam para frente numa velocidade suave, esperando que o olhar dela continuasse a gritar o sim tão claro que eu via. Os lábios dela me pareciam uma espécie de fruta carnosa pedindo para ser mordida. A minha sede se tornava tamanha. Eu pensava não respirar, e cada centímetro de avanço a expectativa me fazia tremer por dentro, como se dentro dos lábios dela eu fosse achar alguma espécie de chave para os portões do paraíso. Parecia que lá de dentro eu teria a resposta para todas as perguntas do universo. Eles me atraiam e ao mesmo tempo me amedrontavam e então me puxavam mais para perto como se eu estivesse sob alguma espécie de hipnose.
Beijá-la foi a coisa mais estúpida que fiz, mas naquele instante parecia a coisa mais certa que já havia feito na vida. Foi como conectar dois fios descapados e os tocar ao mesmo tempo, pura energia, uma profusão de sensações e hormônios que pareciam acelerar meus batimentos, aumentar a pressão do meu sangue, lubrificar a minha boca de mais saliva, retesar a musculatura de meus braços, inflar de sangue a parte baixa de meus órgãos como se eu estivesse possuído de uma certa vontade que ia além da minha razão.
Deixá-la foi a coisa mais fácil que fiz. Tudo se esvaiu tão rápido como se eu estivesse apenas seguindo o fluxo de uma corrente de água, que me levava para longe, muito longe dela.
A coisa mais difícil que ja fiz? Tentar esquecê-la, ela é uma espécie de cicatriz na palma da minha mão que prejudicou toda  a forma de fechar ou abrir a mão, ela é uma órgão extirpado, meu corpo já funciona bem sem ela, mas ainda esta lá, a cicatriz, o espaço em branco dentro de mim.
A coisa mais inteligente que fiz? Entender que ela é uma parte de mim, seu fantasma é uma espécie de lembrança de mim mesmo naqueles dias, da mágica dos nossos toques, das gotas de suor que brotavam de minhas costas enquanto fazíamos amor, da intensidade com que ela me beijava e parecia que o mundo inteiro não importava.
E então lá estava eu, com o coração preso no fundo da garganta, encarando os painéis de desembarque, gotas de um suor apreensivo brotavam dentro da minha jaqueta embora o frio fosse nauseante. Meus olhos procuravam alguma forma de conforto em qualquer coisa no meio da multidão: olhos, rostos, lojas, qualquer coisa. Eu não sabia ainda bem como iria cumprimentá-la, um oi, um abraço, um aperto de mão, deveria fingir que não me importo? Deveria dar uma atrasada para parecer que eu nunca senti a falta dela? Deveria sentar num daqueles banquinhos em frente e rezar para que ela me encontrasse? A indecisão borbulhava dentro da minha cabeça como uma enxaqueca, uma ressaca de tanto pensar nela desde aquela ligação.
O vôo nunca chegou, ou se chegou eu não estava lá. Decidi ir embora depois de esperar a saída de todos os passageiros."
Minha vida continua lá, no aeroporto, esperando pelas minhas respostas!

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