Meus post estão acontecendo em horários cada vez mais bizarros. Meu sono desaparece muito fácil ultimamente. Me sinto mais aliviada hoje por ter conseguido dizer tudo, até as coisas que eu sei que não gostei de dizer e que ele não gostou de escutar. Tudo que me espeta. Gostaria que ele quase que por mágica lesse isso, mas sei que não se importa mais. Aliás, esse é meu jeito de me defender das decepções que o silêncio dele me dá. Não sei o que pensa, nem o que sente. Mas sem saber, vivo na agrura da dúvida. Pela dúvida, troco pela minha certeza de que não, não sou e não tenho a importância que dou a ele. Assim, fico mais certa, mais clara, mais triste mas me sinto mais eu, um velho eu que não gosto de ser mais.
Vou dar a ele o tempo para que ele se sinta confortável. Meu medo então agora se converte em outro problema: ele vai insistir em fazer essa concessão? A desistência tem sempre sido um padrão na minha vida, e realmente, porque não desistir desse problema, achar alguém mais fácil, que cobre menos?
Para isso, não tenho solução, sou intensa e exagerada. Mas ao menos se ele desistir, vou saber que fiz o que podia e o que não podia, avancei sobre alicerces antes formados por anos de merdas e terapia, porque achei que valia a pena. Eu achei, nunca tive certeza. Talvez muito em breve eu veja que não vale. E me arrependa muito. Temo que isso seja verdade.
Na realidade me sinto quase adolescente, insistindo em algo que parece mirar certeiro por um buraco no meu peito velho. Me sinto velha, me sinto tão mal comigo mesma que estou novamente cometendo atrocidades comigo, por outras pessoas. E nem vou achar ruim porque faço isso sempre, não é novidade, é quase minha especialidade. Me sinto repetindo um momento claro do ano passado, e do re-re-trasado.
Sinceramente, todas soluções me parecem machucar. Essa espera pra que ele consiga andar comigo e por mim. Sem cara feia, pra fazer dar certo. Essa espera, como vai ser? Vai me comer viva como tem feito esses dias. Me odeio por não ter paciência, por machucar ele sem nem ver, mas é meu coração tentando se proteger. Ou terminar agora (coisa que por mais que minha razão já tenha me pedido, me feito imaginar como seria, me feito entender de que no fundo vai ser melhor, meu coração teima que jamais irá fazer, acha que não vai achar mais ninguém como ele e que se acostumou com tudo dele pra desistir agora, e até grita como criança birrenta de que simplesmente não faz). Nesses momentos em que a razão me domina na madrugada e me impulsiona a escrever, sinto até uma certa enorme vontade de chorar. Porque me machucar novamente, depois do retiro de quase seis meses do ano passado, após tudo que passei, é quase um retorno ás drogas de um viciado pós-rehab.
Mas a razão há de concordar comigo, que o sentimento é inteiro e completo, mesmo sem conhecer gosta dele de um tanto, tem uma sinceridade que nunca eu havia experimentado. Uma normalidade nova. O sentimento ama ele. O sentimento voou longe nas asas da imaginação, quis casar e ter filhos, quis ser normal. Amou ser normal. Mas a razão não vai deixar que isso permaneça muito tempo, ela vai me priorizar. E nesse momento da madrugada, sinto que aos poucos, a razão vai devorar e vomitar esse sentimento. Jogá-lo no lixo. As coisas num futuro próximo me prometem nada. Avisto tempo de dificuldades, merdas, e quem sabe, novos discursos dos meus demônios contidos tentando me re-convencer de que essa vida a dois nunca foi e nunca será pra mim. De que a solidão é quase um destino. Essa ladainha velha que eu conheço e de que no fundo, meu coração hoje corre disso, sabe o que isso nos faz. Mas que de certa forma, ainda me convence. Sou eternamente tendenciosa ao pessimismo.
Agora estamos sentamos todos aqui, meus demônios acordados, me espetando, falando tanta merda ao pé do ouvido que vou chorar mais tarde, até dormir. Me sinto infeliz. Tanto quanto em poucos meses me senti feliz, agora me sinto miserável. Um trapo, um lixo de ser humano.
Volto pros meus lugares obscuros, pras minhas velhas perguntas, de que até sei o quão especial e foda eu sou, o quão eu seria uma garota pra casar, mas porque isso não acontece? Porque comigo é sempre difícil, impossível, e as pessoas se não me exploram, simplesmente não me dão valor? Porque insistir na minha personalidade quando ela sempre me machuca assim? Será que eu vou ter que deixar de ser eu pra ser normal na vida? Dá vontade de ir fazer um retiro de 3 anos no Tibet, virar enfermeira na África, essas idéias loucas que já tive. Ao menos vou morrer sabendo que fiz alguma coisa que preste. E não ouço a minha imaginação e suas futuroses loucas.
Avisto tempestades, avisto que as coisas não hão de melhorar, meus medos agora se dobram de tamanho, agora, nesse segundo, temo que ele me traia, me troque, me ache um problema, não lute por mim quanto isso na verdade nunca aconteceu. Ninguém lutou por mim.
E sinceramente, vou concordar agora com a lágrima que me embaça o olho esquerdo e o discurso do meu demônio pessoal favorito: será que alguém um dia vai? Dormir chorando parece a sensação do verão. Amanhã vou tentar acordar pra tocar minha vida, que no momento, parece vazia e sem sentido... E eu só tenho ela, aparentemente. Vou ter que ficar com ela então.
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