24 de ago. de 2011

2:18

Sim, são 02:18 da manhã de quarta. Gostaria de achar que o motivo que eu tenho pra estar acordada é o bastante, mas na verdade não é. O problema todo está aqui dentro da minha cabeça. E é por isso que eu estou a essa hora acordada. Porque o mundo inteira povoa a minha cabeça, por tantos problemas que eu gostaria de resolver. Escrever sempre me ajudou, hoje vai me ajudar.
Talvez o maior deles seja o meu romantismo. Creio sim que ele seja um problema. Meu coração bate de forma diferente, em desejo de um amor maior que eu, um amor que me reconheça como pessoa. E talvez eu insista demais, talvez eu queira demais sentir isso. No final das contas, sou apenas aquela garota assutada querendo ser amada, não importa o quão diferente eu seja agora, aquela menina ainda está aqui. Talvez por isso eu me agarre tão forte à possibilidade de ser amada. Talvez eu me esforce. E por tantos talvez, eu ainda estou aqui, em frente à mesma tela, sabendo que isso não aconteceu.
Hoje escutei da minha mãe que ela quando quis achar alguém, ela procurou alguém que tivesse estabilidade financeira. Pode parecer mesquinho, mas a entendo. Problemas financeiros realmente acabam com o casamento.
Pode parecer pequeno e até vergonhoso, mas eu só queria alguém que me amasse da maneira correta, alguém que me olhasse como quem diz com os olhos que eu sou tudo o que ele precisa. Alguém que me abraçasse, que quisesse ficar horas conversando, que desejasse apenas estar comigo e nada mais. Num mundo onde é tudo tão descartável, eu quero ser durável. Tento tanto ver no outro as suas originalidades, tento valorizar suas particularidades, e no fundo vejo que ninguém consegue me ver, sou complicada e tão simples. Sou transparente e ao mesmo tempo, imprevisível. E por falar tanto, resolvo pouco.
Gostaria de que o outro se importasse, fosse capaz de loucuras e desventuras comigo e por mim. Gostaria que o outro lutasse por nós, para que os nosso defeitos não se chocassem. Para que acime de tudo, eu o amasse em tudo e me sentisse amada.
Dizem que os nascidos no signo de peixes vivem sua última encarnação. Entendo isso como uma espécie de desafio a viver o que ainda não foi vivido. Talvez de tudo o que tenho vivido, nada me é mais desconcertante que o amor. Nada me é mais complicado e tão simples. Nada me é mais desafiador. Nada que eu deseje mais. Nem a tal estabilidade financeira. Desculpe mamãe, quando discordo. Talvez a sua sinceridade hoje tenha me chocado, por ter me dito coisas impactantes. Ainda não desisti.
Hoje então me é difícil entender que talvez isso não me vá ser possível. Ver a chama que outrora fora tão forte, agora fraca e sem vida. Em tantas vezes que sofri por amor e por tentar tão fielmente tê-lo, cometi erros. Cometi atrocidades comigo. Me levei a lugares assombrosos e desesperadores. Senti a dor física que a perda do amor traz, para então entender que o amor é mais que tentar. É uma troca sincera, é um compromisso de sentidos. É se perder no outro, além do físico, até a alma. Entender o que o outro diz sem palavras. E por crer tão fielmente nisso que me esforço. E por me esforçar, falho. Falho comigo. Porque me esforço por dois, tento amar por dois. Essa ideia lírica do amor mais que perfeito, num português velho de livros empoeirados, tem me ferido aos longos dos anos. E nem por isso eu tenho desistido. Aliás, jamais desisti. Mesmo nas lágrimas de madrugada, quando clamei e gritei com esse coração fraco e burro, ele teima me dizer que tal coisas exista. Não sei se existe. Não deixei de crer. A pequena e leve chama permanece acreditando, não importa o quão pequena ela seja. Ela sabe, ela crê mais do que na existência do próprio Deus, ela ainda crê que nas folhas de meus cadernos perdidos, nas páginas de meus livros queridos, que essa tristeza que sinto, ela há de ser curada com a brisa suave dos novos amores, dos amores que perduram, dos amores inacreditáveis. É essa mesma chama que me impede de dormir, pois ela não me deixa estar triste. É essa mesma chama que me fez procurar esta noite pelo consolo do tema de amor do filme de romeu e julieta, de Nino Riota. Aquele antigo, que soa verdadeiramente como a maior história de amor já vivida.
Não hesitaria em dizer que apesar do fim trágico, eu a teria vivido.
A diferença entre os outros seres humanos e eu, é essa antiguidade da minha alma. Do meu jeito de apreciar o mundo. De achar que o amor correto não é escolhido. De ele acontece, como no piscar de olhos de duas pessoas no metrô.
Talvez meu erro seja no fundo, achar que eu seja capaz do maior amor do mundo, mas incapaz de ser amada com esse mesmo amor.

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