17 de out. de 2011

Futuros passados

Estranho ver ele. Tudo dentro se remexeu, se incomodou e ao mesmo tempo congelou. Parou apenas para olhar.
Vê-lo me olhar o tempo todo, me vigiar, escutar o que digo foi pior. Porque parecia fora do lugar. Eu parecia fora do lugar. Fora do lugar que sempre ocupei, ao lado dele achando graça das piadas dele. Agora olho e só vejo um menino no lugar do que antes era o meu homem.
Foi estranho ver os sinais de que ele passaria mal. Porque reconheci nele o que me é conhecido. Meu instinto foi de levantar e ir, ajudar. Meu coração se apertou por dentro de vê-lo daquele jeito. Aquele era o mesmo menino assustado de oito meses atrás, que eu cuidei. Me vigiei para que não o chamasse de amor. Mas por dentro me doeu muito vê-lo daquele jeito. Meu instinto foi de cuidar. Jamais o deixaria ali, passei por cima de tudo, do que sentia, do que nos impede de ficar juntos, ali era o momento dele precisando de mim. Foi feio ver todos se afastarem e me deixarem ali. De certa forma, foi como ver que todo mundo sabia que eu que deveria cuidar.
Pior é que aquele momento derrubou minha parede de segurança, me peguei o abraçando, foi quase impossível segurar o instinto de tirar a mão da marcha pra tocar nele. Foi mais difícil ainda não olhar pro lado, não abraçar ele, não cuidar dele. Era imensa a vontade de dar colo, de cuidar dele, de ficar junto dele. Foi horrível sentir o calor que pulsava dele, aqueles centímetros que distanciavam a minha pele da dele. A curiosidade de tocá-lo e saber qual sensação teria foi foda. E o que sentia dele foi uma certa repulsa, como se fosse humilhante que eu estivesse cuidando dele, que eu estivesse levando-o para casa. Isso também me doeu. Porque eu não sentia repulsa, não sentia obrigação, eu senti que eu queria ajudar, que era de mim que ele precisava. Mas pelo canto do olho vi que ele não gostava da posição em que se encontrava. Me peguei imaginando como a noite teria sido diferente se nós estivéssemos juntos. Parecia a cena de um dos meus livros. Voltar para casa pareceu uma eternidade, mas pareceu certo. Senti que era mesmo a hora de eu ter ido embora, porque aquele mundo a qual vivi me limitava, me prendia. Sou maior. Preciso de alguém maior, alguém capaz de me oferecer um mundo de possibilidades. As que ele me oferecia, sei de cor e cabem nos dedos da mão.  Quero alguém mais capcioso. Alguém mais maduro, capaz de programas diferentes, capaz de me tirar dali pra apenas ficar comigo. Alguém capaz de me surpreender, que saiba ser doce e gentil, que saiba me conquistar com as pequenezas. E esse alguém não é ele mais. Ele já foi esse cara, mas hoje decididamente não é mais.
Ainda assim é difícil lutar pro sentimento ir embora, expulsá-lo da corrente sanguínea e declarar que e chegado o tempo de mudar.
Essa semana será igualmente dura como a anterior, talvez eu ainda encare a tela do celular à espera de sinais dele. Talvez eu ainda pense muito, mas agora estou certa de que tudo tem o seu lugar, sua hora. A minha chegou de ir embora desse lugar.


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