Abro os olhos, encaro as paredes do quarto. Parece que tudo perdeu a cor que tinha. O azul de minha parede parece sem vida. Tudo parece desbotado. Tudo nesse quarto parece impregnado de lembranças, de momentos, de cheiros. Meu próprio quarto lembra outra pessoa.
Levanto e lembro que hoje é feriado, hoje é o pior dia da semana, no meio da correria, dando aulas, saindo e chegando, informações e tudo mais, não há tempo de me lembrar dele. Ficando sozinha, sem o trabalho estou refém das lembranças, dessa dor que lateja. Desse incômoda que mora no ar o tempo todo.
Desculpa, a dramaticidade sempre foi um forte meu. Talvez eu deva deixar claro de que isso tudo é o certo. Por mais que eu queira, algumas coisas apenas não forma feitas para ser. Mesmo com saudade, mesmo lembrando o tempo todo, mesmo ainda sentindo tudo o que sinto, estou melhor. Não me cobro de fazer tudo funcionar. Não estou esperando que ele apareça mais com um buque de rosas. Não estou me cobrando mais por ter deixado tudo chegar nesse ponto. Não estou mais triste por ver que não daríamos certo.
Agora continuo a sair sozinha como tenho feito, agora sem olhar para os casais e me perguntar porque ele não estava comigo. Agora apenas sinto aquela velha e normal inveja. Olho os casais se beijando e apenas suspiro. Não sinto aquela inveja maluca mais, de que ele não me beijava daquele jeito.
Parei de olhar centenas e milhares de vezes para a tela do telefone, achando que em algum momento haveria uma solução mágica. Não existe magia. Existe a verdade, nua e crua de que o amor não basta. É preciso esforço, é preciso querer, e cansei de querer sozinha. Como à muito tempo, agora olho no espelho e encaro a mesma e velha expressão, de que nesse mundo ainda não encontrei alguém que soubesse do valor que tenho, a não ser eu mesma.
Agora volto para o meu canto, para o recanto que sempre vivi. Olho as paredes, continuam sem cor. Melhor seria se eu voltasse a dormir.
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