11 de mar. de 2012

E eu, que cometi novos mas velhos erros...

O coração da gente parece nunca aprender. O meu estava recluso, morto, mas sabe despertar. E quando pensou em acordar, foi abatido com uma pancada na nuca e apagou novamente. Pensei eu que ele estivesse de fato acamado, num coma profundo, erro meu. Ele podia até estar dormindo mas se apegou. Se apegou ao sorriso fácil, ao cheiro, aquele buraquinho no canto da boca de onde ficava o piercing dele, a risada e o jeito dele de falar. Se apegou ao jeito maluco e tão natural dele, e principalmente, me apeguei à sinceridade que também me machucou. Mas meu coração também se magoou, doeu escutar que era com ela que ele queria estar. Doeu mais vê-lo sofrer pela falta dela. E essa dor que não deveria me doer, ela me magoou. Não porque o quisesse pra mim, do ritmo que tudo ia estava maravilhoso, era leve, era normal, mas uma mulher sonha, e mesmo errado e sem o querer de fato, eu me machuquei. Era bom, mas a dor mata tudo. Matou minha leveza, matou até a nossa amizade. A dor dele doeu em mim e eu me lembrei que eu não tinha dor, eu não podia absorver a dor dele, esse fardo não é meu para carregar. Foi aí que me dei conta de que talvez seria a hora de ir embora, a hora de cair fora, tempo de manter apenas a nossa amizade. O algo mais que tínhamos morreu sozinho. E já agora sinto saudades. A gente tem saudade do que é bom, gostaria eu de manter tudo como estava em seu lugar, mas como deixar continuar um processo que já se tornou tóxico? Como beijar, abraçar e até transar com alguém que ainda esta apaixonado por outra?
Mereço mais que isso, mas entre merecer e acontecer existem alguns anos-luz, algumas milhas marítimas, e eu já nem acredito mais. Não acredito mais nas pessoas, e talvez volte a pensar que a solidão sempre foi o meu lugar. Me acho alguém tão fantástica, alguém tão boa, me vejo clara e perfeitamente, mas não apresento-me um desafio à ninguém. As pessoas gostam de desafios, de coisas difíceis, do que é impossível. Estou longe de tal, sou fácil, não tenho obstáculos. Fico agora eu e meus livros, eu e meus sonhos, eu e meu caminhar sozinha. Talvez a solidão me acalente de novo, talvez seja tempo de ser sozinha. De novo.

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