Talvez eu esteja compreendendo a importância de dar limites. De descobrir os meus e não deixar ninguém mais cruza-los. Sinto uma necessidade de me desgrudar do mundo, de ser sozinha. Talvez eu esteja sentindo uma puta saudade de ser só.
Descobri uma vantagem enorme da minha tão má afamada solidão. Eu só tinha o meu fardo para carregar. Sempre reclamei de carregar o meu fardo. Mas sempre foi só ele e o peso que eu o determinava. Ultimamente tenho carregado fardos demais. Sinto uma dor no pescoço, como de alguém que passa tempo demais carregando um peso que não pode suportar.
Agora sei que de todas as coisas que desejei em alguém, desejo alguém que compartilhe comigo. Saiba me carregar, não sei pedir colo, mas é visível. Posso dividir o peso, ora eu carrego ora quero ser carregada. Ando sentindo falta de alguém que saiba como cuidar de alguém, alguém que eu possa fechar meus olhos e confiar plenamente. Tenho sentido o fardo de cuidar de todos, mas ninguém tem cuidado de mim. Tem sido difícil, esse peso tem comido até minha alegria de viver, meus sonhos, tenho me tornado alguém mais sombria de fato. Alguém que quer passar muito tempo sozinha.
Isso tem me mudado, estou sentindo a velha falta de confiança retornar. Não a falta de confiança em mim, mas a falta de confiança no mundo. As pessoas são todas assim, egoístas? Incapazes de altruísmo, ou sou eu mesmo esse ser amaldiçoada pela servidão. Ajudar as pessoas costumava me fazer bem, agora virou um costume maldito. Estou triste hoje, com muita vontade de chorar.
Vou ficar sozinha, seja por opção, seja por força do destino. Não quero mais carregar ninguém que não seja eu.
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