Quando a gente acha que a vida vai seguir na sua costumeira calmaria, tudo vira de ponta cabeça e subitamente, eu sinto falta da minha entediante paz. Estou ainda tentando voltar pra aquela paz, aquela segurança de que por menor que eu esteja restringindo meu mundo, ele fica mais confortável, eu e meu ballet. Mas ai o passado parece me assombrar e aparece subitamente e remexe com toda a paz e ela some como a neblina exposta ao sol. De repente, eu me vi interessada em encarar esse passado e saber o que de fato ficou dele. Essa semana eu me vi infurnada nas lembranças, nas coisas boas e ruins, nos momentos que ficaram de fato. E até nos pequenos detalhes que eu me peguei sabendo sem esquecer.
E encará-lo foi enervante. Me senti muito, muito nervosa. Quando pus os olhos nele, meu coração se acelerou e eu me senti como uma garotinha. Fiquei muito feliz de vê-lo se arrepender, eu sempre fiquei pensando que ele nunca veria o quanto errou. E ele pediu desculpas, e de alguma forma isso foi um consolo pra feridas magoadas que ainda carrego. Foi um alívio saber que depois de tudo o que eu fiz, ele também conseguiu ver que ele também deixou tudo ruir. Porque eu já sabia que eu tenho uma grande parte de culpa nisso. Minha falta de experiência ajudou com que tudo ruísse.
Foi muito triste vê-lo assim, num buraco sem fundo, numa tristeza, numa falta de crença nele mesmo, parecia tão distante do homem que eu amei. Pareceu tão vazio. Apesar das roupas pouco ou nada atraentes (ao menos ele deveria ter vestido roupas que me fizessem sentir saudade), meu corpo reagiu ao dele, eu agradeci o fato de ele ter mantido as mãos para ele mesmo, eu tinha um medo de que se ele me tocasse algo acontecesse. Mas vê-lo naquela tristeza, eu tive a certeza de que ele não é mais parte do meu presente. Se por acaso ele tivesse tentado me reconquistar, tivesse pedido pra aos poucos, ao menos retomar a amizade, quem sabe, quem sabe Deus o que eu teria dito. Provavelmente eu teria me balançado. Foi um alivio poder dizer tudo e saber que no fim, foi o medo dele que estragou tudo. Foi o medo de eu o trocar. Chego a rir dessa pobre possibilidade. Eu estava profundamente apaixonada por aquele homem, aquele homem que nunca soube me dar colo, que disse uma única vez que me amava, que as vezes me olhava eu eu via no olhar dele o quanto eu mexia com ele. Aquele mesmo homem que me satisfazia, que eu queria tanto conhecer e o pouco que eu conhecia eu já amava. Esse mesmo homem que fez com que eu tivesse raiva, que eu chorasse de alegria e de tristeza, aquele mesmo homem que me fez perceber que ser frágil era bom, que ter intimidade era maravilhoso, que precisar de alguém podia ser bom.
Mas ele também me fez ter medo de mim, me deixou sentir mais solidão com ele do que eu jamais havia sentido sozinha. E agora que tudo acabou eu mesma me perguntei se eu seria capaz de voltar. Voltar para o que? Para o medo de ele fazer o mesmo de novo? Voltar para um relacionamento onde eu tinha que comandar, que eu buscava? Hoje, eu queria alguém mais capaz de cuidar de mim, um relacionamento de igual para igual. Que a gente se parecesse mais, que a gente se bastasse, só a gente embaixo de um cobertor vendo filme.
E isso tudo é um sonho lindo que eu sei que é distante. Não sei sequer se existe, mas não canso de ter esperanças. Não sei o que o destino me reserva, só sei que posso imaginar, e eu me peguei imaginando se tudo tivesse sido diferente, eu ainda podia amar ele?
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