11 de abr. de 2011

Meu medonho monstro..

Eu falo de todas eu, todas as minhas formas, eu vinha esquecendo dela, daquela maldita da qual apelido carinhosamente de "demônio". É ela, que vê em cada fresta da minha insegurança, do meu medo, uma razão pra começar seu discurso. Ela quer me derrubar, quer causar um estrondo, quer segurar as barreiras no local, assim eu posso ser somente dela. E a cada dúvida minha, ela enfia as garras dentro da minha cabeça e sinto dor, ela abre buracos inóspitos e estranhos na minha mente. Cria dúvidas, cria inseguranças, me desestabiliza. Ontem voltando pra casa, eu não estava só, ela estava ali sentada do meu lado, falando sem parar, sem me deixar em paz nenhum segundo. Ela é crítica, nunca está satisfeita. Ela me quer só, sozinha, só eu e ela. Não quer me ver feliz, não quer me dividir. E eu ainda não sei bem como lutar com ela, e as vezes, principalmente à noite, ela ganha as batalhas. Ela cria incômodos que antes não haviam, faz nascer uma lista de razões, cria motivos escusos, rotula tudo de uma forma ruim e bizarra. Ela quer acabar com a minha paz. Ela não se contenta com a calmaria, ela gosta do sujo, do mal arrumado, do dolorido, daquilo que não me faz bem. E por tantas noites ela tem me perturbado e me feito sonhar com o passado que tanto me machucou. Ela não consegue entender que o passado deve ficar onde está, que não sinto saudade da infelicidade solitária que eu vivia.
Sim, eu a havia esquecido, e agora que vou ficar sozinha, ela decididamente resolveu acordar. Será o medo da minha solidão esse mês, esses longos dias que se aproximam? Será que foi esse medo que a acordou?
Como vou lutar contra ela? Como vou derrubá-la? Queria eu ter forças essa noite, e acordar desejando ser feliz de novo, sem lembrar que ela que vai dormir comigo esse próximo mês.
Ela se senta agora no canto do meu cérebro, de espartilho vermelho e cinta liga, cabelos negros e enrolados, com um copo de absinto na mão e um canudo, me olhando com esse olhar sedutor e sorrindo maliciosamente de quem sabe que vai me dominar essa noite. E eu olho pra minha mão direita, desejando que esse anel me desse forças essa noite. Só essa noite.

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