13 de jul. de 2011

A beleza dos ventos dentre os bambuzais

Dentre as chuvas torrenciais de fim de tarde, o frio que as gotas de água passam por minha pele, e o céu cinza aclarado de um sol que não consigo ver por entre as nuvens de chuva. Ali estava eu. Sentada, escutando o som dos pingos de chuva nas poças que agora se formavam, minutos após o início da chuva. Sentia pouco a pouco as gotas de água invadirem minha roupa e transmitir o frio que carregavam,
Naquela cena de paz, ouvindo o som do silencio por dentre a mata, agora silenciada pelas sons próprios das nuvens, meu rosto era impassível. Estava sentada no chão, meu desejo era meditar. A chuva parecer aos poucos tocar na minha alma, e lavá-la por completo.
Eu ansiava por paz, nunca antes a sensação da chuva havia me dado tamanha paz. A paz de uma alma lavada, um corpo encharcado de paz. Aos poucos as gotas deslizavam por entre meus dedos imóveis, pelas dobras de meu casaco, meus fios de meu cabelo. Pareciam preencher de frio e calma tudo a volta.
Tive que me deitar, a sensação pareceu convidativa. As gotas caindo em meu rosto pareciam uma leve massagem, feita com pontas dos dedos. Meu corpo parecia pertencer à terra, à água, parecia compreender tudo a volta e ainda sim se calar. Com a mesma clareza que os monges budistas, meu silencio era dhyana. Minha paz era dhyana. Eu era dhyana. Tive que despertar do meu momento, aproveitar e sentir tudo o que até aquele momento me era ignnorado. A frieza da chuva, pareceu me surpreender, e ainda sim me fazer pertencer a ela.
Sentei-me, pus-me a refletir. Tantas vezes quis sentir amor, mas não o pude por o desconhecer. Aprendi então a me amar. Quis sentir paz, mas não compreendia o que ela significava. Tive que me perder em mim mesma e aprender a meditar. Na verdade, o amor, quando o senti, me pareceu paz. A paz me pareceu inflamada de amor. O coração de uma mulher as vezes pode ser um campo de descobertas a ela mesma. Descobri a mim mesma, várias vezes e todos os dias. Me conheço e me apaixono por todas essas descobertas. Pela capacidade que tenho de vencer, pelos medos, por me descobrir sempre forte, mas capaz de ser frágil e reconhecer minha fragilidade. Sou grande, mas nos braços de alguém que amo me sinto me pequena. Sou observadora, mas também agente.
Nessa chuva, agora a única coisa que lembro são os olhos dele. Aquele tom avelã, castanho, uma cor de madeira escurecida e nunca antes me fora mostrado. Nunca antes havia notado tão beleza em outros olhos. Nunca havia parado para notar olhos. Meu desejo em vê-los é imenso porque sempre me sinto congelada, tudo parece sumir ao redor quando paro para observar os olhos dele.
Talvez a beleza do mundo caiba nos olhos de alguém. Talvez meus olhos possam ser assim. Agora me levanto da chuva. Já é hora de voltar para a casa, embalada pela paz e leveza daquele meditar. Ao lembrar dos olhos, sorrio. Nunca a paz do meditar acalma meu coração da paz que aquele olhos me dão.

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