De todos os meus medos no mundo
eu temi que ninguém pudesse me ver
De todos meus momentos sozinha
eu chorei e rezei várias noites
O medo de ser só me fez cega
Os livros que li me fizeram desejosa
De que alguém no mundo pudesse me ver
Meus medos mundanos me fizeram esquecer
De que o amor é cego
Ele não vê os defeitos que vejo
Ele tem olhos cor de mel
parecem refletir um caramelo doce e profundo
O amor é surdo, e como os surdos ele escuta
Pelo tato ele descobre as vibrações do meu palpitar
O amor é mudo mas seu sorriso calado
parece me dizer que já me conhecia
De todos os meus sonhos no mundo
Um dia eu sonhei, que meu coração fosse leve
que minha canção fosse suave e silenciosa
e que o mesmo sorriso que eu esperava ter
se estampasse no rosto de quem ama.
De todas as emoções no mundo
Eu desejei ser feliz
de coração aberto, leve e fresco
como a brisa da casa a beira mar
e com o mesmo ritmo do som da ondas que quebram
e com a mesma paz do mar que avança e volta.
Meu coração quer ser mar, quer se expandir
quer se levantar, quer se derramar.
Meu coração é um bicho indomado,
que teima, esguincha, esperneia.
Meu coração é beijo roubado, na esquina de casa.
Ele também é aquele chocolate quente da avó.
Descobri que antes de tudo, antes de ser triste
antes de ser grande, antes de ser amante,
antes de ser mulher, eu nasci pra ser amada
em toda complexidade de meu ser, com defeitos
com aquele dente quebrado que ninguém nota,
com os cabelos enrolados e espetados,
com a brancura de minha pele que parece temer a luz,
grande que sou, pequena que sinto.
Meu desejo sempre foi ser mulher
ser um sorriso, ser um silencio.
Descobri que meu sorriso é genuíno
minha fome, luxuriosa de ser,
meu desejo é transparente e impalpável.
Aonde quer que minha mente vá, ela se perde numa única opção
a de que todas as novidades que já tive na vida
ser feliz foi a melhor delas.
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