Amanhã vou cancelar. Não estou no humor hoje e provavelmente não estarei amanhã. Me sinto um adereço hoje. Quanto eu me esforço, mando mensagens, sempre digo onde vou e o que faço, nunca recebo nada de volta. Tenho que entrar na internet pra saber das coisas. E isso me magoa muito.
Enquanto eu me preocupo para fazer o nosso mundo rodar, eu me sinto um adereço do dele, um enfeite.
Tenho pensado muito, e apesar de querer ter muitas esperanças, eu não tenho mais. Acho que as coisas estão começando a se estabilizar. Estou tentando voltar a sonhar com a gente, mas não consigo. Me sinto triste. Tenho sentido mais vontade de fazer coisas sozinha. Cada vez mais. Isso nunca é bom sinal. Hoje me vi não chamando mais para fazer coisas comigo. Pensei que ele ficaria lá calado, uma hora pediria para ir embora. Então ele acabaria com minha noite, porque precisava falar com minhas antigas amigas. Cada vez mais é difícil colocar ele na minha como antes eu queria. E antes eu queria tanto. Agora canso de tentar sozinha.
E o que isso me leva? A nada na verdade. A nenhuma resposta. A nenhuma solução. Agora não sei mais o que fazer. Isso me parece uma trava. Parece que minha vida para nesse ponto.
Continuo sem saber direito o que sinto. Tento me convencer de que ele se importa, mas não é isso o que ele me mostra.
Odeio sentir ciúmes, isso me corrói por dentro pior que o veneno mais tóxico desse mundo. Na verdade nunca tive ciúmes. Mas ali está, tudo o que me dá ciúmes. O fato de ele não me informar nada me dá mais ciúmes, daquela menina saber antes de mim. Logo ela, aquela que é sempre a que me dá ciúmes. Porque ele visita as fotos dela, ele comenta as fotos dela. E isso me tira do sério. Como se alguma forma ele tivesse uma atração por ela e eu sinto por dentro que é verdade. E que ela sente por ele é óbvio até para um cego. Me fervo de ciúmes.
Talvez isso me indique de que alguma forma sinto algo, mas o que? O estranho sou logo eu, analista de mim como sou, não saber. Gosto dele. Mas sinto como se ainda não fosse a hora da gente ficar junto. Como se eu talvez o estivesse preparando pra outra pessoa. E eu tenho medo de que ele a encontre e eu fique só antes. Talvez por isso me bata uma vontade injustificada de sair correndo primeiro.
Talvez o erro esteja o tempo todo em mim. Sou muito exigente e procuro por algo pronto que se encaixasse comigo quase que por mágica. Que me fizesse surpresas. Não sou o tipo de mulher que você tenha que gastar muito dinheiro para fazer surpresas. Ligar, mandar aquela mensagem, são coisas que me amolecem mais que manteiga. Aquele 'eu te amo' numa hora inesperada. E eu tento tanto fazer isso. Mas nunca ninguém fez. Eu ainda sou aquela garota à espera de um milagre. De alguém com atitude suficiente pra ser mais atitude que eu. Atitudes, algo que faço demais.
Eu ainda sou aquela menina romântica, que não consegue não ser romântica, que olha os casais na rua e suspira com aqueles casais que dão beijos sinceros, de olhos fechados, cujas expressões são de que ali, do outro lado da boca, ali está seu mundo perfeito.
Nunca fui o mundo perfeito de alguém. Nunca recebi surpresas, pra dizer a verdade nem festa surpresa nunca tive. Eu sou a pessoa que faz tudo e sempre. E eu sonho com isso todos os dias.
E debaixo disso tudo sou frágil, sou boba. Sou simples, e conquistada pelas simplicidades. Ele me magoa com uma facilidade incrível, na verdade agora vejo que me deixei vulnerável por ele e agora ele me machuca por tão pouco. Ainda quero as simplicidades. Por aquele olhar diferente. Por aquele jeito diferente de sorrir. E até pelas palavras bobas que o outro teima em me dizer.
O outro não sabe das asas que meu coração tem. Meu coração deve ter nascido no meio das palavras e dos livros doces, de histórias de amor que não existem mais, de amores impossíveis no nosso mundo mas possíveis no mundo dos livros.
Meu coração é imaginário.
E hoje dorme apertado e chateado, cheio de lágrimas contidas nos olhos, se sentindo desprezado e rezando para que um dia ele venha a se desabrochar por alguém nesse mundo. Porque até hoje, ele foi tocado, mas continua a se recusar a se abrir por tão pouco esforço.
Nenhum comentário:
Postar um comentário