Você já despertou de um sonho em que nele você morria? E nesse mesmo sonho, quando você acorda parece que você ressurgiu das próprias cinzas e renasceu?
Se você nunca sentiu isso, então não sabe como eu estou me sentindo.
Enclausurada seis meses. Remoendo, destruindo, construindo, crescendo tudo dentro de mim. Construindo uma nova pessoa, uma que me agrade os olhos da alma...
Mas essa nova geração, esse feto, estava dormindo em sua casca descansando deixando os processos metabólicos tomarem seus rumos em suas direções, com medo de sair, com receio de não estar preparada para o mundo de fora. Medo o dominava. Medo me dominava.
Até que um certo dia, mais precisamente sábado a noite, um anseio me dominou: sair. Sim, sair de minha amada cova. E essa decisão foi seguida de um arrepio familiar que não pudera ser ignorado, ele era muito familiar mas a muito desaparecido. E ele agora parecia algo como uma forte intuição, como se a decisão de sair fosse muito importante. E de fato ela tinha sido, acabamos caindo numa festa desconhecida, conhecendo alguns rapazes e um deles havia me arrebatado ao final. Tão estranho ele. Um rosto que me levou a pensar que era um rapaz bobo, logo descobri que não tanto. Sabia brincar da forma mais correta, me deixando maluca tentando beijá-lo enquanto ele segurava meus cabelos. Era bem clara a mensagem que eu ia: dominador. E esse pensamento subia quente bem entre minhas pernas. Ele sugeriu que fôssemos ao seu apartamento que ele estava cansado. E eu não pude deixar de pensar em algo mais, mas me soava extremamente sincero. Ainda bem que não o estava.
Deus, como me regozijei em um homem estar errada. Ir ao apartamento era tudo o que precisava. Me tomou em seus braços e apenas declarou "sim, estou indo com calma, mas você não me enrola, anda, retira o vestido." E cada célula minha não podia discordar do homem forte que ali se apresentava. Dominada. Completamente. E ele ainda o fazia com força e querendo conversar o tempo todo. E ainda brincalhão. A cada momento mais uma surpresa. Uma brincadeira, um sôfrego, sexo novamente.
Deuses, como aos poucos ele conseguiu me desarmar de tudo? Da minha falta de auto estima, dos meus medos. De tudo. E me senti tão a vontade.
Foi exatamente como um choque de milhares de volts num corpo adormecido que agora se voltava a viver. Eu não me lembro de ter me divertido assim à séculos. Eu me lembro de já ter ficado de guarda baixa, mas de ter me divertido, diabos, daquele jeito? NUNCA! Como eu pudera pensar que ele fosse bobo? De bobo, ele só tinha as mãos!
O outro dia foi maravilhoso, igualmente. Com uma leve e doce adição. Prazer total. Nenhum homem jamais me levara a tal prazer. Eu gemi de uma forma tão real. Minhas pernas tremiam com a intensidade e com a falta de falsidade em minha voz. Maravilhoso. Como encontrar o céu, bem ali, em meio aos braços de um homem tão estranho e ao mesmo tempo tão familiar.
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